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"Agora é tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial e da discriminação para a pedra sólida da fraternidade." (Rev. Martin Luther King Jr.)

Sejam bem-vindos ao NEGOSPEL!

O que vem a ser o NEGOSPEL? - NEGOSPEL é um MOVIMENTO NEGRO EVANGÉLICO virtual e, ou, presencial cuja missão é de conscientizar os afrodescendentes e interessados no assunto quanto à sua historicidade, identidade, autovalorização e espaço tanto do ponto de vista histórico-teológico como étnico-sócio-racial lutando, assim, pela reparação nas áreas supra-citadas dentro de um recorte racial justo e verdadeiro ante às inúmeras injustiças resultantes na atual estratificação social. Portanto, continue conosco interagindo e divulgando nosso trabalho e muito obrigado pela sua visita!

Afroabraços,

Henrique Coutinho.



segunda-feira, 18 de julho de 2011

MANDELA DAY - DIA INTERNACIONAL DAS NAÇÕES UNIDAS.


Mais de 12 milhões de estudantes sul-africanos cantaram o 'Parabéns para você' na manhã em que o líder da luta contra o apartheid na África do Sul, Nelson Mandela, comemora 93 anos. Repetindo o gesto realizado há anos, a ONU também pediu aos cidadãos do país que dediquem 67 minutos do seu dia a alguma causa humanitária para lembrar o tempo que Mandela se dedicou à luta contra o regime de segregação racial.
O ex-presidente sul-africano recebeu mensagens de diversos líderes mundiais, incluindo o atual presidente do país, Jacob Zuma, e o presidente dos EUA Barack Obama. Em um comunicado enviado no domingo, Obama elogiou Mandela e disse que o líder é "um farol para a comunidade global, e para todos que trabalham para democracia, justiça e reconciliação".

Em 2009, a ONU declarou o aniversário de Mandela como Dia Internacional das Nações Unidas. O chamado "Mandela Day" tem objetivo de incentivar as pessoas a assumir a responsabilidade de fazer do mundo um lugar melhor, dando um pequeno passo de cada vez.
Desde que saiu do hospital onde foi internado em janeiro com problemas respiratórios, Mandela permaneceu em sua residência, nos arredores de Johannesburgo, sob cuidados médicos. Nascido em 1918, ele passou 27 anos preso por sua luta contra o Apartheid.

Ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1993, ele foi, após o fim do regime de segregação, o primeiro presidente eleito democraticamente na África do Sul, governada por ele entre 1994 e 1999.


sábado, 2 de julho de 2011

2 DE JULHO: A VERDADEIRA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL NA BAHIA.

A comemoração do dia 2 de Julho é uma celebração às tropas do Exército e da Marinha Brasileira que, através de muitas lutas, conseguiram a separação definitiva do Brasil do domínio de Portugal, em 1823. Neste dia as tropas brasileiras entraram na cidade de Salvador, que era ocupada pelo exército português, tomando a cidade de volta e consolidando a vitória.
Entre todas as comemorações, a do ano de 1849 teve um convidado muito especial. O marechal Pedro Labatut, que liderou a tropas brasileiras nas primeiras ofensivas ao Exército Português, participou do desfile, já bastante debilitado e sem recursos financeiros, mas com a felicidade de homenagear as tropas das quais fez parte.Esta é uma data máxima para a Bahia e uma das mais importantes para a nação, já que, mesmo com a declaração de independente, em 1822, o Brasil ainda precisava se livrar das tropas portuguesas que persistiam em continuar em algumas províncias. Então, pela sua importância, principalmente para os baianos, todos os anos a Bahia celebra o 2 de Julho. Tropas militares relembram a entrada do Exército na cidade e uma série de homenagens são feitas aos combatentes.
Para chegar a este dia, muita luta foi travada...
O Brasil do início do século XVIII ainda era dominado por Portugal, enquanto o Rio de Janeiro, Pernambuco, Minas Gerais e a Bahia continuavam lutando pela independência. As províncias não suportavam mais a situação e, percebendo os privilégios que o Rio de Janeiro estava recebendo por ser a capital, Pernambuco e Bahia resolveram se rebelar.
Recife deu início a uma revolução anti-colonial em 6 de março de 1817. Esta revolução tinha uma ligação com a Bahia, já que havia grupos conspiradores compostos por militares, proprietários de engenhos, trabalhadores liberais e comerciantes. Ao saber desta movimentação, o então governador da Bahia, D. Marcos de Noronha e Brito advertiu alguns deles pessoalmente.
O governo estava em cima dos conspiradores e, devido à violenta série de assassinatos, muito baianos resolveram desistir. Com toda esta repressão, a revolução de Recife acabou sendo derrotada. Os presos pernambucanos foram trazidos para a Bahia, sendo muitos fuzilados no Campo da Pólvora ou presos na prisão de Aljube, onde grande personagens baianos também estavam presos.
Movimentação pela independência:
Diante das insatisfações, começaram as guerras pela independência. Os oficiais militares e civis baianos passaram a restringir a Junta Provisória do Governo da Bahia, que ditava as ordens na época, e com esta atitude foi formado um grupo conspirativo que realizou a manifestação de 3 de Novembro de 1821.
Esta manifestação exigia o fim da Junta Provisória, mas foi impedida pela "Legião Constitucional Lusitana", ordenada pelo coronel Francisco de Paula e Oliveira. Os dias se passaram e os conflitos continuavam intensos. Muitos brasileiros morreram em combate.

Força portuguesa:
No dia 31 de Janeiro de 1822 a Junta Provisória foi modificada. E depois de alguns dias, chegou de Portugal um decreto que nomeava o brigadeiro português, Ignácio Luiz Madeira de Mello, o novo governador de Armas.
Os oficias brasileiros não aceitavam esta imposição, pois este decreto teria que passar primeiro pela Câmara Municipal. Houve, então, forte resistência que envolveu muitos civis e militares.

Madeira de Mello não perdeu tempo e colocou as tropas portuguesas em prontidão, declarando que iria tomar posse. No dia 19 de fevereiro, os portugueses começaram a invadir quartéis, o forte São Pedro, inclusive o convento da Lapa, onde haviam alguns soldados brasileiros. Neste episódio, a abadessa Sónor Joana Angélica tentou impedir a entrada das tropas, mas acabou sendo morta.

Concluída a ocupação militar portuguesa em Salvador, Madeira de Mello fortaleceu as ligações entre a Bahia e Portugal. Assim a cidade recebeu novas tropas portuguesas e muitas famílias baianas fugiram para as cidades do recôncavo. 
Contra-ataque brasileiro:
No recôncavo, houve outras lutas para a independência das cidades e o fortalecimento do exército brasileiro. O coronel Joaquim Pires de Carvalho reuniu todo seu armamento e tropas e entregou o comando ao general Pedro Labatut. Este, assim que assumiu, intimidou Madeira de Mello.
Labatut organizou todo seu exército em duas brigadas e iniciou uma série de providências. Aos poucos o exército brasileiro veio conquistando novos territórios até chegar próximo a cidade de Salvador.
Madeira de Mello recebeu novas tropas de Portugal e pretendia fechar o cerco pela ilha de Itaparica e Barra do Paraguaçu. Esta atitude preocupava os brasileiros, mas os movimentos de defesa do território cresciam. E foi na defesa da Barra do Paraguaçu que Maria Quitéria de Jesus Medeiros se destacou, uma corajosa mulher que vestiu as fardas de soldado do batalhão de "Voluntários do Príncipe" e lutou em defesa do Brasil.

Em maio de 1823, Labatut, em uma demostração de autoridade, ordenou prisões de oficiais brasileiros, mesmo sendo avisado do erro que estava cometendo, e acabou sendo cassado do comando e preso. O coronel José Joaquim de Lima e Silva assumiu o comando geral do Exército e no dia 3 de Junho ordenou uma grande ofensiva contra os portugueses. Com a força da Marinha Brasileira, o coronel apertou o cerco contra a cidade de Salvador, que estava sob domínio português, restringindo o abastecimento de materiais de primeira necessidade. Diante destes fortes ataques e das necessidades que estavam passando, Madeira de Mello enviou apelos e acabou se rendendo. Com a vitória, o Exército Brasileiro entrou em Salvador consolidando a retomada da cidade e fim da ocupação portuguesa no Brasil.

domingo, 1 de maio de 2011

Estudante negra da UNIJORGE, em Salvador, sofre agressão física durante Simpósio.

A estudante do quinto semestre de História do Centro Universitário Jorge Amado (UNIJORGE) da Bahia, Nairobe Aguiar, divulgou neste sábado (30) uma carta, em que afirma ter sido agredida fisicamente pelo também estudante, Lucas Pimenta, membro da organização do Simpósio de História “Pesquisa Histórica na Bahia”, na mesma faculdade.

Nairobe faz parte do movimento estudantil da Bahia e estava organizando conjuntamente com a coordenação do Curso de História da UNIJORGE, o Simpósio, mas que de repente, sem nenhuma justificativa plausível, foram retirados da organização do evento. Dois dias depois, ela foi até a UNIJORGE para participar do Simpósio, sendo impedida de assinar a lista de presença, que a faria ter direito ao certificado . “Todas as pessoas assinaram, na minha vez, a organização da atividade recolheu a lista, e eu perguntei num tom alto, no meio da palestra: por que vou assinar a lista lá fora, já que todos assinaram aqui dentro?”, questionou Nairobe.

Ao procurar Lucas Pimenta, organizador do evento, para pedir maiores explicações, ela foi agredida com um tapa no rosto. “Um tapa na cara vem em retaliação a um fato, mais insuportável ainda, para Lucas e demais membros da elite racista-sexista desse país: sou mulher negra, favelada, jovem e o represento num espaço onde o projeto genocida de Estado brasileiro historicamente reservou para o segmento branco”, diz a estudante em dos trechos da carta.

Confira na íntegra o conteúdo da carta aberta divulgada por Nairobe Aguiar.

Quando racismo e sexismo se encontram na UNIJORGE

Carta aberta ao Movimento Negro, Movimento de Mulheres Negras e Movimento Feminista

Comunico às organizações de Movimento Negro, Mulheres Negras e Feministas que eu, Nairobe Aguiar, estudante do quinto semestre de História UNIJORGE, Centro Universitário Jorge Amado, fui agredida com uma tapa na cara por um colega, componente da organização do Simpósio de História “Pesquisa Histórica na Bahia” na referida faculdade.

Inicialmente, estávamos organizando conjuntamente a coordenação do Curso, o Simpósio de História, que da noite para o dia, fomos tirados da construção, sob a justificativa de que o evento não deveria ter envolvimento do movimento estudantil, em tempo, de um dos palestrantes, e ainda, que não assinaríamos os certificados, visto o evento estar sob a responsabilidade da instituição.

No dia anterior ao fato, encontramos esse grupo de estudantes com a camisa de organização do evento (até então da universidade), fizemos algumas intervenções, falando sobre a institucionalização daquela atividade, proposta pelo movimento estudantil, e sobre a apropriação intelectual da mesma. Com efeito, isso causou um forte incômodo à organização do evento.

Quando cheguei à atividade, no dia seguinte, fui impedida de assinar a lista de presença, que me legitimaria a ganhar o certificado de carga horária do evento. Todas as pessoas assinaram, na minha vez, a organização da atividade recolheu a lista, e eu perguntei num tom alto, no meio da palestra: por que vou assinar a lista lá fora, já que todos assinaram aqui dentro?

Na mesma hora, todo mundo parou e me olhou. Esperei o evento acabar, chamei a coordenadora do curso para pedir explicação, a mesma não deu atenção, assim não comunique o ocorrido. Quando saí do evento, me dirigi até LUCAS PIMENTA, o agressor, e perguntei: posso assinar a lista? Ele disse: “você é muito mal educada!”. O interrompi, e falei: não quero te ouvir, só quero saber se posso assinar, caso contrário, vou conversar com a coordenação. E ele disse: “Você tá tirando muita onda, não é de agora que eu tô te aturando!” E me deu UMA TAPA NA CARA! Quando falei que Eu, oriunda do movimento negro, do movimento de mulheres negras, não deixaria barato, que iria acionar a lei Maria da Penha, ele se curvou e foi segurado pelos colegas ao tentar me dar murros.

Ao dizer, “você tá tirando muita onda,” em seguida, me agredir, o Sr Lucas Pimenta revelou um sentimento de insatisfação, não apenas de Lucas, mais de muitos(as) outros(as), diante do fato, de ser eu, mulher e negra, Coordenadora Acadêmica no CA de História da Jorge Amado. O fato de estarmos adentrando o espaço acadêmico por si só, já fez membros da elite branca, sobretudo, masculina, sentir-se ameaçada.

Um tapa na cara vem em retaliação a um fato, mais insuportável ainda, para Lucas e demais membros da elite racista-sexista desse país: sou mulher negra, favelada, jovem e o represento num espaço onde o projeto genocida de Estado brasileiro historicamente reservou para o segmento branco. Sei, que no fundo, a intenção de Lucas e outros racistas violentos, lotados na academia, não é apenas dar um tapa na cara de cada preta(o), mas barrar a nossa entrada e ascensão nesses espaços. Enfim, nos eliminar fisico-espiritualmente. É por isso, que o racismo e o machismo se articulam o tempo todo para impedir que pessoas como eu (preta estilo favela!) não possam representar uma pequena minoria do curso de história (brancos, e classe média). Atualmente, ocupo a posição de Coordenadora Acadêmica do Centro Acadêmico União dos Búzios, representação legítima dos estudantes do curso de história dessa Instituição – por isso, a agressão que sofri ganha um peso simbólico mais complicado. Estaria tudo bem, se eu ocupasse um lugar na senzala, se eu estivesse na favela, esperando a hora de visitar meu companheiro na prisão ou compondo manchete na página policial. Mas, como eu e várias (os) irmãos não nos curvamos, eles reagem dessa forma. Sei que a tapa na cara e a expressão “você tira muita onda,’ quer na realidade perguntar: “quem é você, sua neguinha ousada e Insolente? Tal episódio poderia acontecer com qualquer outra irmã que desafiasse confrontar politicamente um membro da elite branca desse país racista, machista e homofóbico

Por isso, conclamo meus irmãos e em especial às minhas irmãs, para amanhã, na extensão desta atividade, manifestarmos politicamente nosso repúdio. O Simpósio começa ás 18h:30. O procedimento legal está sendo encaminhado.

Espero não apenas uma resposta legal, mas que a Unijorge responda administrativamente com medidas reparatórias a esse caso de Violência contra a mulher.

Na fé!

Tamu juntu!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Dia do Índio: questão indígena ainda é tratada como problema no País.

Flávia Bernardes.


Atualmente, muita gente ainda afirma que o maior problema dos índios é estar vivendo como os brancos. Mas, nesta terça-feira (19), Dia do Índio, quatro anos após o reconhecimento de suas terras no norte do Estado, os Tupinikins e Guaranis continuam lutando pelo resgate de suas origens e de sua cultura, sem sucesso. Desde 2007, o registro de terras, entre outras providências prometidas na ocasião, não saiu do papel.

O atraso, além de deixar os índios insatisfeitos, impede que a comunidade tenha seu próprio ritmo de desenvolvimento, prejudica o apoio técnico, impede o fomento de alimentos e a aplicação de suas próprias políticas indígenas. Segundo eles, submetidos às normas e, sobretudo,
à lentidão da burocracia do poder público, eles ficam presos, obrigados a continuar saindo da aldeia em busca de trabalho, alimento e saúde.

A reclamação é antiga, e foi ressaltada no início do mês pelos indígenas e mais uma vez citada após posição emitida pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) nesta data. Segundo o vice-presidente do Cimi, Saulo Feitosa, apesar de nos últimos anos o governo reconhecer a importância de ações direcionadas aos povos indígenas, o governo ainda trata esta questão como um problema.

Entre as causas deste problema, Feitosa aponta a visão colonialista, que embora tenha sofrido algumas alterações, ainda persiste. Ao pulverizar ações entre ministérios, afirma ele, o governo acaba deixando de investir na coordenação destas ações. Outro problema, segundo o especialista, é que atuando de forma fragmentada, há dispersão de investimentos e dos recursos públicos.

Diante da conturbada fase de licenciamentos da Belo Monte, entre outros programas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a reestruturação da Fundação Nacional do Índio (Funai), duramente criticada pelos indígenas, fica ainda mais reforçada a imagem de um governo que ainda não conseguiu achar o consenso entre direito e respeito a tradição indígena e o desenvolvimento.

No caso do Espírito Santo, após mais de 20 anos de luta contra a ex-Aracruz Celulose (atual Fibria), os índios Tupinikim e Guarani tiveram 18.154 hectares de terras reconhecidos pelo governo Lula. As terras eram há mais de 20 anos utilizadas pela empresa para o plantio de eucalipto para a confecção de celulose.

O decreto homologando as terras indígenas Tupinikim e de Comboios, em Aracruz, norte do Estado, totalizando pouco mais de 18.154 hectares, foi um dos mais importantes do governo Lula na área indígena. Porém, desde a demarcação das terras a situação pouco mudou.

Segundo os indígenas, falta vontade do poder público e também verba para subsidiar as ações. Além disso, eles reclamam da desorganização da Funai. Segundo eles, os técnicos não têm condições de ir à Capital, onde estão situadas as secretarias públicas, e portanto não conseguem cumprir o acordado entre as partes.

Além do registro de terras que ainda não foi entregue aos índios, eles afirmam que também não foi feita a apresentação do estudo etnoambiental com a presença de técnicos da CGGAM; não foi feita a desintrução de posseiros; não foi assinado o termo de cooperação entre Funai e Estado e nem criado o comitê regional, cujo objetivo era dar voz aos índios nas decisões do órgão.

Durante os mais de 20 anos de utilização das terras indígenas, os índios Tupinikim e Guarani foram submetidos a pressão da milícia armada da então Aracruz Celulose, e também a viverem ilhados pelos eucaliptais e os impactos gerados pela utilização de agrotóxico nos plantios.

Após as portarias demarcatórias de 2007, quando os índios assinaram Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a ex-Aracruz para terem de volta as suas terras, o objetivo dos índios era colocar em prática sua cultura de manejo e produção de alimentos, buscando projetos autosustentáveis na região, mas segundos os índios ainda não foi garantido meios para a autogestão das comunidades.

quarta-feira, 30 de março de 2011

BAIANO VÍTIMA DE RACISMO NO RIO GRANDE DO SUL.

Estudante do curso de história da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), no Rio Grande do Sul, o baiano Helder Santos, de 25 anos, tenta transferir sua matrícula para seu Estado de origem. Helder diz ter recebido ameaças desde que revelou ter sido vítima de agressões e racismo praticados por policiais militares na cidade de Jaguarão, na fronteira com o Uruguai. Hélder é negro e conseguiu passar no vestibular graças ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).O estudante deixou Jaguarão, onde estuda, e viajou para Porto Alegre na última quinta-feira. Com a ajuda de um advogado, ele tenta se transferir para a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, próximo de Feira de Santana, sua cidade natal. Eles afirmam que não existe segurança para que ele permaneça estudando na universidade gaúcha.
Hélder relata que foi agredido por policiais militares após sair com um grupo amigos de uma festa no dia 6 de fevereiro, em Jaguarão. Ao questionar o motivo da abordagem dos policiais que, segundo ele, foi truculenta, o estudante teria sido jogado no chão e algemado, além de ter ouvido ofensas racistas. “As pessoas pediram para não me levar porque conheciam a gente. Um dos policiais estudou comigo na minha sala. Mesmo assim, fizeram esse tipo de coisa”, conta Helder.
Ele denunciou o caso na corregedoria da Polícia Militar e pediu a abertura de inquérito sobre crime de racismo na Polícia Civil. Depois das denúncias, recebeu duas cartas com ameaças. “Nego sujo volta para a Bahia (sic)”, diz uma delas. Para Helder, as cartas partiram de dentro da polícia. “São pessoas que têm propriedade sobre as coisas internas da Brigada Militar [a PM gaúcha]. Não são do nada. Como sabiam que a diretora foi lá?”, diz. A diretora do campus da Unipampa em Jaguarão, Maria de Fátima Ribeiro, também procurou a corregedoria da PM. Ela teria recebido uma correspondência, na qual o autor anônimo diz que a universidade está trazendo “lixo” para a cidade.Hélder chegou a Jaguarão em março do ano passado, depois de ser aprovado no Enem, e está no terceiro semestre do curso de licenciatura em História. Ele diz que nunca havia passado por constrangimento semelhante na universidade. “Nunca havia sentido constrangimento, não diretamente. Não tenho o que falar da cidade, mas da segurança do Estado, das pessoas que cometeram este tipo de atrocidade”, afirma.
De origem humilde, Helder foi o primeiro de sua família a chegar na universidade. Para o estudante, as instituições gaúchas devem estar preparadas para a chegada de estudantes de outras partes do Brasil. "Não é um problema do Enem, mas da segurança pública do Estado. Entendo que tudo é muito novo, as pessoas não estão preparadas. Mas é uma realidade e as estruturas do Estado precisam estar preparadas”, completa.
Helder e o advogado Onir Araújo conversaram na manhã desta segunda com a ministra da Igualdade Racial, Luiza Barros, que estava em visita oficial a Porto Alegre. Eles pedem a transferência do estudante para a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, no campus de Cachoeira, próximo a Feira de Santana. Um irmão e amigos de Helder estudam na instituição.
“Estamos aguardando que ainda hoje (segunda) tenhamos uma resposta sobre a transferência. Não queremos acreditar que a União e o Estado queiram resolver simplesmente mandando o Helder para a Bahia”, destaca Onir Araújo.
O caso está sendo acompanhado pelo Ministério Público, pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do governo estadual e pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. “Vamos contatar o comando da Brigada Militar para apurar o ocorrido, se de fato houve abuso e crime de racismo, para pedirmos providências imediatas”, afirma o deputado Miki Breier (PSB), presidente da comissão.

FONTE: g1

terça-feira, 29 de março de 2011

PARABÉNS QUERIDA CIDADE!"

Parabéns querida cidade! Parabéns cidade varonil;
Não foi à toa que fostes escolhida a primeira capital do Brasil!

Foi aqui que tudo começou, no útero desta pátria amada;
Uma gestação muito dolorida a custo de sangue, suor e espada!

"Esta cidade é linda demais" exclama o poeta inspirado;
Mas sua beleza, além de uma dádiva Divina;
É resultado de sangue, suor e vida de um povo escravizado!

De Itapoã à Amaralina; do Rio Vermelho ao Porto da Barra até chegar à Vitória;
De Itapagipe a São Tomé do Paripe foi sendo escrita a nossa História!

História essa que tentam ofuscar e, até, negar a sua verdade;
Que a independência do Brasil se deu, de fato, nesta cidade!

Parabéns querida cidade! Sua beleza parece mágica;
És a terceira maior do Brasil e a mais negra fora da África!

Simpatia é o seu nome; hospitalidade é o seu caráter; alegria é a sua cara;
Tu és única! És singular! Igual a você é coisa rara!

Parabéns querida cidade! Cidade da paz e do Amor;
Teu nome por si mesmo traduz; és CIDADE DO SALVADOR!

Parabéns querida cidade! Parabéns Metrópole amada;
Desejo-lhe centenas de anos de vida pra que possas ser desfrutada!

Pr. Henrique Coutinho.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Racismo institucional? Frente parlamentar repudia declarações de deputado do DEM à ministro do STF.

Racismo institucional? Frente parlamentar repudia declarações de deputado do DEM à ministro do STF.

"Ilustre ministro moreno escuro", disse Júlio Campos (DEM) sobre ministro Joaquim Barbosa, do Supremo
Carlos Eduardo Freitas
www.salvadordiario.com

O presidente da mais nova Frente Parlamentar Mista pela Igualdade Racial e em Defesa dos Quilombolas, da Câmara Federal, o deputado federal Luiz Alberto (PT/BA), repudiou, em nome do colegiado, declarações do colega parlamentar, deputado federal Júlio Campos (DEM/MT), que teria se reportado ao ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), chamando-o de “ilustre ministro moreno escuro”.

“Questiono: será coincidência ou o deputado cometeu um ato de racismo institucional? Será que o deputado chamaria qualquer outro ministro do STF, não-negro, de moreno claro? Não seria esta uma tentativa de invisibilizar e não legitimar o único ministro negro daquela corte?”, declarou Luiz Alberto.

O presidente da Frente que tem foco no debate racial, nos direitos e políticas públicas para a população negra, disse não acreditar que um deputado, de longa experiência no parlamento brasileiro, possa esquecer o nome de um membro do Supremo, que é composto por apenas 11 ministros, dos quais apenas um é negro [Joaquim Barbosa].

“Ato como este do deputado em questão não deve ser tolerado em pleno século 21, em um país no qual o IBGE declarou que mais de 51% da população é negra, neste ano, inclusive, em que também a ONU elegeu como o ano internacional dos afrodescendentes, que representa o fortalecimento do estado brasileiro na garantia de igualdade e oportunidades à população negra”, afirmou o parlamentar baiano.


Para Luiz Alberto, o acontecimento demonstra longo caminho de luta que parlamentares, senadores, movimento social e a população negra ainda têm que travar na batalha contra o racismo institucional no país. “Essa é uma responsabilidade e papel que esta Frente vai ter, para não permitir que fatos como este sejam novamente escritos na história do Brasil”, disse.