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"Agora é tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial e da discriminação para a pedra sólida da fraternidade." (Rev. Martin Luther King Jr.)

Sejam bem-vindos ao NEGOSPEL!

O que vem a ser o NEGOSPEL? - NEGOSPEL é um MOVIMENTO NEGRO EVANGÉLICO virtual e, ou, presencial cuja missão é de conscientizar os afrodescendentes e interessados no assunto quanto à sua historicidade, identidade, autovalorização e espaço tanto do ponto de vista histórico-teológico como étnico-sócio-racial lutando, assim, pela reparação nas áreas supra-citadas dentro de um recorte racial justo e verdadeiro ante às inúmeras injustiças resultantes na atual estratificação social. Portanto, continue conosco interagindo e divulgando nosso trabalho e muito obrigado pela sua visita!

Afroabraços,

Henrique Coutinho.



domingo, 1 de maio de 2011

Estudante negra da UNIJORGE, em Salvador, sofre agressão física durante Simpósio.

A estudante do quinto semestre de História do Centro Universitário Jorge Amado (UNIJORGE) da Bahia, Nairobe Aguiar, divulgou neste sábado (30) uma carta, em que afirma ter sido agredida fisicamente pelo também estudante, Lucas Pimenta, membro da organização do Simpósio de História “Pesquisa Histórica na Bahia”, na mesma faculdade.

Nairobe faz parte do movimento estudantil da Bahia e estava organizando conjuntamente com a coordenação do Curso de História da UNIJORGE, o Simpósio, mas que de repente, sem nenhuma justificativa plausível, foram retirados da organização do evento. Dois dias depois, ela foi até a UNIJORGE para participar do Simpósio, sendo impedida de assinar a lista de presença, que a faria ter direito ao certificado . “Todas as pessoas assinaram, na minha vez, a organização da atividade recolheu a lista, e eu perguntei num tom alto, no meio da palestra: por que vou assinar a lista lá fora, já que todos assinaram aqui dentro?”, questionou Nairobe.

Ao procurar Lucas Pimenta, organizador do evento, para pedir maiores explicações, ela foi agredida com um tapa no rosto. “Um tapa na cara vem em retaliação a um fato, mais insuportável ainda, para Lucas e demais membros da elite racista-sexista desse país: sou mulher negra, favelada, jovem e o represento num espaço onde o projeto genocida de Estado brasileiro historicamente reservou para o segmento branco”, diz a estudante em dos trechos da carta.

Confira na íntegra o conteúdo da carta aberta divulgada por Nairobe Aguiar.

Quando racismo e sexismo se encontram na UNIJORGE

Carta aberta ao Movimento Negro, Movimento de Mulheres Negras e Movimento Feminista

Comunico às organizações de Movimento Negro, Mulheres Negras e Feministas que eu, Nairobe Aguiar, estudante do quinto semestre de História UNIJORGE, Centro Universitário Jorge Amado, fui agredida com uma tapa na cara por um colega, componente da organização do Simpósio de História “Pesquisa Histórica na Bahia” na referida faculdade.

Inicialmente, estávamos organizando conjuntamente a coordenação do Curso, o Simpósio de História, que da noite para o dia, fomos tirados da construção, sob a justificativa de que o evento não deveria ter envolvimento do movimento estudantil, em tempo, de um dos palestrantes, e ainda, que não assinaríamos os certificados, visto o evento estar sob a responsabilidade da instituição.

No dia anterior ao fato, encontramos esse grupo de estudantes com a camisa de organização do evento (até então da universidade), fizemos algumas intervenções, falando sobre a institucionalização daquela atividade, proposta pelo movimento estudantil, e sobre a apropriação intelectual da mesma. Com efeito, isso causou um forte incômodo à organização do evento.

Quando cheguei à atividade, no dia seguinte, fui impedida de assinar a lista de presença, que me legitimaria a ganhar o certificado de carga horária do evento. Todas as pessoas assinaram, na minha vez, a organização da atividade recolheu a lista, e eu perguntei num tom alto, no meio da palestra: por que vou assinar a lista lá fora, já que todos assinaram aqui dentro?

Na mesma hora, todo mundo parou e me olhou. Esperei o evento acabar, chamei a coordenadora do curso para pedir explicação, a mesma não deu atenção, assim não comunique o ocorrido. Quando saí do evento, me dirigi até LUCAS PIMENTA, o agressor, e perguntei: posso assinar a lista? Ele disse: “você é muito mal educada!”. O interrompi, e falei: não quero te ouvir, só quero saber se posso assinar, caso contrário, vou conversar com a coordenação. E ele disse: “Você tá tirando muita onda, não é de agora que eu tô te aturando!” E me deu UMA TAPA NA CARA! Quando falei que Eu, oriunda do movimento negro, do movimento de mulheres negras, não deixaria barato, que iria acionar a lei Maria da Penha, ele se curvou e foi segurado pelos colegas ao tentar me dar murros.

Ao dizer, “você tá tirando muita onda,” em seguida, me agredir, o Sr Lucas Pimenta revelou um sentimento de insatisfação, não apenas de Lucas, mais de muitos(as) outros(as), diante do fato, de ser eu, mulher e negra, Coordenadora Acadêmica no CA de História da Jorge Amado. O fato de estarmos adentrando o espaço acadêmico por si só, já fez membros da elite branca, sobretudo, masculina, sentir-se ameaçada.

Um tapa na cara vem em retaliação a um fato, mais insuportável ainda, para Lucas e demais membros da elite racista-sexista desse país: sou mulher negra, favelada, jovem e o represento num espaço onde o projeto genocida de Estado brasileiro historicamente reservou para o segmento branco. Sei, que no fundo, a intenção de Lucas e outros racistas violentos, lotados na academia, não é apenas dar um tapa na cara de cada preta(o), mas barrar a nossa entrada e ascensão nesses espaços. Enfim, nos eliminar fisico-espiritualmente. É por isso, que o racismo e o machismo se articulam o tempo todo para impedir que pessoas como eu (preta estilo favela!) não possam representar uma pequena minoria do curso de história (brancos, e classe média). Atualmente, ocupo a posição de Coordenadora Acadêmica do Centro Acadêmico União dos Búzios, representação legítima dos estudantes do curso de história dessa Instituição – por isso, a agressão que sofri ganha um peso simbólico mais complicado. Estaria tudo bem, se eu ocupasse um lugar na senzala, se eu estivesse na favela, esperando a hora de visitar meu companheiro na prisão ou compondo manchete na página policial. Mas, como eu e várias (os) irmãos não nos curvamos, eles reagem dessa forma. Sei que a tapa na cara e a expressão “você tira muita onda,’ quer na realidade perguntar: “quem é você, sua neguinha ousada e Insolente? Tal episódio poderia acontecer com qualquer outra irmã que desafiasse confrontar politicamente um membro da elite branca desse país racista, machista e homofóbico

Por isso, conclamo meus irmãos e em especial às minhas irmãs, para amanhã, na extensão desta atividade, manifestarmos politicamente nosso repúdio. O Simpósio começa ás 18h:30. O procedimento legal está sendo encaminhado.

Espero não apenas uma resposta legal, mas que a Unijorge responda administrativamente com medidas reparatórias a esse caso de Violência contra a mulher.

Na fé!

Tamu juntu!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Dia do Índio: questão indígena ainda é tratada como problema no País.

Flávia Bernardes.


Atualmente, muita gente ainda afirma que o maior problema dos índios é estar vivendo como os brancos. Mas, nesta terça-feira (19), Dia do Índio, quatro anos após o reconhecimento de suas terras no norte do Estado, os Tupinikins e Guaranis continuam lutando pelo resgate de suas origens e de sua cultura, sem sucesso. Desde 2007, o registro de terras, entre outras providências prometidas na ocasião, não saiu do papel.

O atraso, além de deixar os índios insatisfeitos, impede que a comunidade tenha seu próprio ritmo de desenvolvimento, prejudica o apoio técnico, impede o fomento de alimentos e a aplicação de suas próprias políticas indígenas. Segundo eles, submetidos às normas e, sobretudo,
à lentidão da burocracia do poder público, eles ficam presos, obrigados a continuar saindo da aldeia em busca de trabalho, alimento e saúde.

A reclamação é antiga, e foi ressaltada no início do mês pelos indígenas e mais uma vez citada após posição emitida pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) nesta data. Segundo o vice-presidente do Cimi, Saulo Feitosa, apesar de nos últimos anos o governo reconhecer a importância de ações direcionadas aos povos indígenas, o governo ainda trata esta questão como um problema.

Entre as causas deste problema, Feitosa aponta a visão colonialista, que embora tenha sofrido algumas alterações, ainda persiste. Ao pulverizar ações entre ministérios, afirma ele, o governo acaba deixando de investir na coordenação destas ações. Outro problema, segundo o especialista, é que atuando de forma fragmentada, há dispersão de investimentos e dos recursos públicos.

Diante da conturbada fase de licenciamentos da Belo Monte, entre outros programas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a reestruturação da Fundação Nacional do Índio (Funai), duramente criticada pelos indígenas, fica ainda mais reforçada a imagem de um governo que ainda não conseguiu achar o consenso entre direito e respeito a tradição indígena e o desenvolvimento.

No caso do Espírito Santo, após mais de 20 anos de luta contra a ex-Aracruz Celulose (atual Fibria), os índios Tupinikim e Guarani tiveram 18.154 hectares de terras reconhecidos pelo governo Lula. As terras eram há mais de 20 anos utilizadas pela empresa para o plantio de eucalipto para a confecção de celulose.

O decreto homologando as terras indígenas Tupinikim e de Comboios, em Aracruz, norte do Estado, totalizando pouco mais de 18.154 hectares, foi um dos mais importantes do governo Lula na área indígena. Porém, desde a demarcação das terras a situação pouco mudou.

Segundo os indígenas, falta vontade do poder público e também verba para subsidiar as ações. Além disso, eles reclamam da desorganização da Funai. Segundo eles, os técnicos não têm condições de ir à Capital, onde estão situadas as secretarias públicas, e portanto não conseguem cumprir o acordado entre as partes.

Além do registro de terras que ainda não foi entregue aos índios, eles afirmam que também não foi feita a apresentação do estudo etnoambiental com a presença de técnicos da CGGAM; não foi feita a desintrução de posseiros; não foi assinado o termo de cooperação entre Funai e Estado e nem criado o comitê regional, cujo objetivo era dar voz aos índios nas decisões do órgão.

Durante os mais de 20 anos de utilização das terras indígenas, os índios Tupinikim e Guarani foram submetidos a pressão da milícia armada da então Aracruz Celulose, e também a viverem ilhados pelos eucaliptais e os impactos gerados pela utilização de agrotóxico nos plantios.

Após as portarias demarcatórias de 2007, quando os índios assinaram Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a ex-Aracruz para terem de volta as suas terras, o objetivo dos índios era colocar em prática sua cultura de manejo e produção de alimentos, buscando projetos autosustentáveis na região, mas segundos os índios ainda não foi garantido meios para a autogestão das comunidades.

quarta-feira, 30 de março de 2011

BAIANO VÍTIMA DE RACISMO NO RIO GRANDE DO SUL.

Estudante do curso de história da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), no Rio Grande do Sul, o baiano Helder Santos, de 25 anos, tenta transferir sua matrícula para seu Estado de origem. Helder diz ter recebido ameaças desde que revelou ter sido vítima de agressões e racismo praticados por policiais militares na cidade de Jaguarão, na fronteira com o Uruguai. Hélder é negro e conseguiu passar no vestibular graças ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).O estudante deixou Jaguarão, onde estuda, e viajou para Porto Alegre na última quinta-feira. Com a ajuda de um advogado, ele tenta se transferir para a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, próximo de Feira de Santana, sua cidade natal. Eles afirmam que não existe segurança para que ele permaneça estudando na universidade gaúcha.
Hélder relata que foi agredido por policiais militares após sair com um grupo amigos de uma festa no dia 6 de fevereiro, em Jaguarão. Ao questionar o motivo da abordagem dos policiais que, segundo ele, foi truculenta, o estudante teria sido jogado no chão e algemado, além de ter ouvido ofensas racistas. “As pessoas pediram para não me levar porque conheciam a gente. Um dos policiais estudou comigo na minha sala. Mesmo assim, fizeram esse tipo de coisa”, conta Helder.
Ele denunciou o caso na corregedoria da Polícia Militar e pediu a abertura de inquérito sobre crime de racismo na Polícia Civil. Depois das denúncias, recebeu duas cartas com ameaças. “Nego sujo volta para a Bahia (sic)”, diz uma delas. Para Helder, as cartas partiram de dentro da polícia. “São pessoas que têm propriedade sobre as coisas internas da Brigada Militar [a PM gaúcha]. Não são do nada. Como sabiam que a diretora foi lá?”, diz. A diretora do campus da Unipampa em Jaguarão, Maria de Fátima Ribeiro, também procurou a corregedoria da PM. Ela teria recebido uma correspondência, na qual o autor anônimo diz que a universidade está trazendo “lixo” para a cidade.Hélder chegou a Jaguarão em março do ano passado, depois de ser aprovado no Enem, e está no terceiro semestre do curso de licenciatura em História. Ele diz que nunca havia passado por constrangimento semelhante na universidade. “Nunca havia sentido constrangimento, não diretamente. Não tenho o que falar da cidade, mas da segurança do Estado, das pessoas que cometeram este tipo de atrocidade”, afirma.
De origem humilde, Helder foi o primeiro de sua família a chegar na universidade. Para o estudante, as instituições gaúchas devem estar preparadas para a chegada de estudantes de outras partes do Brasil. "Não é um problema do Enem, mas da segurança pública do Estado. Entendo que tudo é muito novo, as pessoas não estão preparadas. Mas é uma realidade e as estruturas do Estado precisam estar preparadas”, completa.
Helder e o advogado Onir Araújo conversaram na manhã desta segunda com a ministra da Igualdade Racial, Luiza Barros, que estava em visita oficial a Porto Alegre. Eles pedem a transferência do estudante para a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, no campus de Cachoeira, próximo a Feira de Santana. Um irmão e amigos de Helder estudam na instituição.
“Estamos aguardando que ainda hoje (segunda) tenhamos uma resposta sobre a transferência. Não queremos acreditar que a União e o Estado queiram resolver simplesmente mandando o Helder para a Bahia”, destaca Onir Araújo.
O caso está sendo acompanhado pelo Ministério Público, pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do governo estadual e pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. “Vamos contatar o comando da Brigada Militar para apurar o ocorrido, se de fato houve abuso e crime de racismo, para pedirmos providências imediatas”, afirma o deputado Miki Breier (PSB), presidente da comissão.

FONTE: g1

terça-feira, 29 de março de 2011

PARABÉNS QUERIDA CIDADE!"

Parabéns querida cidade! Parabéns cidade varonil;
Não foi à toa que fostes escolhida a primeira capital do Brasil!

Foi aqui que tudo começou, no útero desta pátria amada;
Uma gestação muito dolorida a custo de sangue, suor e espada!

"Esta cidade é linda demais" exclama o poeta inspirado;
Mas sua beleza, além de uma dádiva Divina;
É resultado de sangue, suor e vida de um povo escravizado!

De Itapoã à Amaralina; do Rio Vermelho ao Porto da Barra até chegar à Vitória;
De Itapagipe a São Tomé do Paripe foi sendo escrita a nossa História!

História essa que tentam ofuscar e, até, negar a sua verdade;
Que a independência do Brasil se deu, de fato, nesta cidade!

Parabéns querida cidade! Sua beleza parece mágica;
És a terceira maior do Brasil e a mais negra fora da África!

Simpatia é o seu nome; hospitalidade é o seu caráter; alegria é a sua cara;
Tu és única! És singular! Igual a você é coisa rara!

Parabéns querida cidade! Cidade da paz e do Amor;
Teu nome por si mesmo traduz; és CIDADE DO SALVADOR!

Parabéns querida cidade! Parabéns Metrópole amada;
Desejo-lhe centenas de anos de vida pra que possas ser desfrutada!

Pr. Henrique Coutinho.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Racismo institucional? Frente parlamentar repudia declarações de deputado do DEM à ministro do STF.

Racismo institucional? Frente parlamentar repudia declarações de deputado do DEM à ministro do STF.

"Ilustre ministro moreno escuro", disse Júlio Campos (DEM) sobre ministro Joaquim Barbosa, do Supremo
Carlos Eduardo Freitas
www.salvadordiario.com

O presidente da mais nova Frente Parlamentar Mista pela Igualdade Racial e em Defesa dos Quilombolas, da Câmara Federal, o deputado federal Luiz Alberto (PT/BA), repudiou, em nome do colegiado, declarações do colega parlamentar, deputado federal Júlio Campos (DEM/MT), que teria se reportado ao ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), chamando-o de “ilustre ministro moreno escuro”.

“Questiono: será coincidência ou o deputado cometeu um ato de racismo institucional? Será que o deputado chamaria qualquer outro ministro do STF, não-negro, de moreno claro? Não seria esta uma tentativa de invisibilizar e não legitimar o único ministro negro daquela corte?”, declarou Luiz Alberto.

O presidente da Frente que tem foco no debate racial, nos direitos e políticas públicas para a população negra, disse não acreditar que um deputado, de longa experiência no parlamento brasileiro, possa esquecer o nome de um membro do Supremo, que é composto por apenas 11 ministros, dos quais apenas um é negro [Joaquim Barbosa].

“Ato como este do deputado em questão não deve ser tolerado em pleno século 21, em um país no qual o IBGE declarou que mais de 51% da população é negra, neste ano, inclusive, em que também a ONU elegeu como o ano internacional dos afrodescendentes, que representa o fortalecimento do estado brasileiro na garantia de igualdade e oportunidades à população negra”, afirmou o parlamentar baiano.


Para Luiz Alberto, o acontecimento demonstra longo caminho de luta que parlamentares, senadores, movimento social e a população negra ainda têm que travar na batalha contra o racismo institucional no país. “Essa é uma responsabilidade e papel que esta Frente vai ter, para não permitir que fatos como este sejam novamente escritos na história do Brasil”, disse.

segunda-feira, 21 de março de 2011

21 de Março - Dia Internacional contra a Discriminação Racial.

No dia 21 de março de 1960, na cidade de Joanesburgo, capital da África do Sul, 20 mil negros protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular.

No bairro de Shaperville, os manifestantes se depararam com tropas do exército. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186. Esta ação ficou conhecida como o Massacre de Shaperville. Em memória à tragédia, a ONU – Organização das Nações Unidas – instituiu 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.

O Artigo I da Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial diz o seguinte:

"Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública"

O racismo se apresenta, de forma velada ou não, contra judeus, árabes, mas sobretudo negros. No Brasil, onde os negros representam quase a metade da população, chegando a 80 milhões de pessoas, o racismo ainda é um tema delicado.

Para Paulo Romeu Ramos, do Grupo Afro-Sul, as novas gerações já têm uma visão mais aberta em relação ao tema. “As pessoas mudaram, o que falta mudar são as tradições e as ações governamentais”, afirma Paulo. O Grupo Afro-Sul é uma ONG de Porto Alegre, que promove a cultura negra em todos os seus aspectos.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD – em seu relatório anual, "para conseguir romper o preconceito racial, o movimento negro brasileiro precisa criar alianças e falar para todo o país, inclusive para os brancos. Essa é a única maneira de mudar uma mentalidade forjada durante quase cinco séculos de discriminação”.

Aproveite esta data para refletir: você tem ou já teve atitudes racistas?

quarta-feira, 9 de março de 2011

HOMENAGEM ÀS MULHERES NEGRAS.

Posted by amizadepoesia em Março 7, 2008


Do tempo das amas-de-leite,
das senzalas e mucambas,
Aind’há quem te desfeite,
(Do tempo das amas-de-leite)
quem deboche teus enfeites,
e te faça a vida tirana
Do tempo das amas-de-leite
das senzalas e mucambas.

II

Ser mulher e, negra, também ser,
é sentir, em dobro, a dor,
é lutar e sobreviver.
Ser mulher e, negra, também ser,
é por duas sempre valer,
é desdobrar o seu valor
Ser mulher e, negra, também ser,
é sentir, em dobro, a dor.

III
É guardar dentro do peito,
o grito da liberdade,
qual o mais doce confeito.
É guardar dentro do peito,
a esperança dum mundo feito
de paz e igualdade
É guardar dentro do peito,
o grito da liberdade.

IV
É ser sempre a guerreira,
vencendo obstáculos,
e tomando a dianteira.
É ser sempre a guerreira,
e vencer, à sua maneira,
desta vida os percalços
É ser sempre a guerreira,
vencendo obstáculos,

V
Mulher negra, negra mulher,
fica aqui esta homenagem,
de um poetinha qualquer.
Mulher negra, negra mulher,
venha o tempo que vier,
és sinônimo de coragem.
Mulher negra, negra mulher,
fica aqui esta homenagem.

Jorge Linhaça