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"Agora é tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial e da discriminação para a pedra sólida da fraternidade." (Rev. Martin Luther King Jr.)

Sejam bem-vindos ao NEGOSPEL!

O que vem a ser o NEGOSPEL? - NEGOSPEL é um MOVIMENTO NEGRO EVANGÉLICO virtual e, ou, presencial cuja missão é de conscientizar os afrodescendentes e interessados no assunto quanto à sua historicidade, identidade, autovalorização e espaço tanto do ponto de vista histórico-teológico como étnico-sócio-racial lutando, assim, pela reparação nas áreas supra-citadas dentro de um recorte racial justo e verdadeiro ante às inúmeras injustiças resultantes na atual estratificação social. Portanto, continue conosco interagindo e divulgando nosso trabalho e muito obrigado pela sua visita!

Afroabraços,

Henrique Coutinho.



quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O NEGRO E A BÍBLIA.

COMO UM TEÓLOGO VÊ A OPRESSÃO RACIAL NA SOCIEDADE E NA IGREJA.
Obtive permissão para acrescentar este artigo de extrema importância do
conhecido e extraordinário biblista que Joaquim Beato. Citado por muitos como
um dos primeiros a atuar na preparação da Teologia da Libertação na década de
50, ao lado de Richard Shaull, século XX, estudou na Escócia e na Inglaterra,
em Glasgow e Oxford, respectivamente, tendo realizado pesquisas e altos estudos
sempre na área da Teologia Bíblica. É um biblista de alto reconhecimento, não
há dúvida. Seu currículo em participações internacionais, como teólogo latinoamericano,
para ser lido por inteiro, necessita meia hora de leitura ininterrupta,
no mínimo. Presenciei isso quando o apresentava a alunos da Faculdade de
Teologia da igreja da qual somos professores e pastores. Ele é pastor emérito da
Igreja Presbiteriana Unida (IPU), tendo completado 60 anos de ordenação. Em
tempo, é negro e ainda, aos 85 anos de idade, participante ativo em movimentos
que tratam de libertação racial, na igreja e na sociedade, especialmente dos que
cuidam da pessoa negra e afrodescendente.
Derval Dasilio
PÁSCOA DE 2007
_______________________________________________________
O NEGRO NA BÍBLIA
É num texto biblico que tem sido procurada a justificação do escravismo e do
racismo anti-negro, entre os cristãos (Gn 9e20-27). Por isso, convém lançar um
olhar, ainda que rápido, sobre a Bíblia, num sentido mais amplo, para uma
verificação mais segura do testemunho das Escrituras Sagradas sobre o negro.
Temos na Bíblia o testemunho da presença do negro no quotidiano da sociedade
israelita.
1. Um escravo negro (cuxita) foi o mensageiro escolhido para levar a Davi a
notícia da morte de seu filho e adversário, Absalão (28m 18.21-32). Um escravo
ou um mercenário negro, por ser um estrangeiro foi, talvez por isso, preferido
pelo comandante Joab, para levar ao rei a trágica notícia.
2. Depois de ter lido em público os oráculos de denúncia e ameaça do profeta
Jeremias, Baruque, seu secretário, foi intimado a comparecer diante dos grandes
de Judá, levando-lhes o rolo (Jr 36.1- 26). O mensageiro enviado para convocar
Baruque foi Jeudi, bisneto de um negro (cuxita; Jr 36.14; CNBB e NTLH).
3. Por sua mensagem, que aconselhava abertamente a rendição de Judá a
Nabucodonosor, rei de Babilônia, Jeremias foi perseguido como traidor da pátria
e entregue pelo rei Zedequias ao arbítrio dos príncipes. Estes o jogaram num
poço em que não havia água, só havia lama (Jr 38.1-6). E o profeta se atolou na
lama, correndo o perigo de se afogar e morrer. Aparece, então, um negro, um
cuxita, cujo nome é dado como Êbed-Mélekh (literalmente, servo, isto é,
2
ministro do rei). Ele vai ao rei, intercede por Jeremias e consegue permissão
para salvar a vida do profeta. Esse negro é, portanto, alguém em alta posição na
corte, tendo acesso direto ao rei, que o devia ter em alta consideração, e, por
isso, atendeu seu pedido, embora fosse em desafio à decisão dos príncipes,
diante dos quais o rei se confessara sem nenhum poder (Jr 38.3, 7-13). Essa foi
uma ação tão notável que o etíope Êbed-Mélekh recebeu, em recompensa, um
oráculo, por intermédio do próprio Jeremias, em que lhe era prometido
livramento, quando acontecesse a destruição de Jerusalém pelo exército de
Nabucodonosor. Sua vida seria poupada, porque ele confiara no Deus Eterno (Jr
39.15-19).
4. Duas coisas chamam a atenção no cabeçalho do livro de Sofonias (Sf 1.1). A
primeira: é o único entre os profetas que tem seus antepassados citados até a
quarta geração. Charles Taylor Jr. afirma: "A razão é, sem dúvida, porque o
Ezequias mencionado é o rei daquele nome, que governara Judá de 715 a 687 a.
C.,, A segunda: Sofonias é declarado filho do Negro (Cuxita). Podem ser
formuladas duas hipóteses, para explicar esse caso: uma dama nobre, neta do rei
Ezequias, casara-se com um etíope, com um negro, que veio a ser o pai do
profeta; ou, então, seu pai, este sim, neto de Ezequias, recebera o nome de
Cuxita (etíope), em homenagem ao Egito, pais com que Judá se aliara em
oposição à Assíria. Qualquer que seja a hipótese adotada, torna-se evidente a
alta conta em que eram tidos os cuxitas (etíopes, negros) pela família real de
Judá.
5. Abraão foi o pai dos crentes, para judeus e cristãos, seu primeiro
antepassado na fé (Gn 12.1-4a), que teve a honra de ser considerado um dos dois
amigos de Deus, no AT (Is 41.8). Para os maometanos, ele foi um dos quatro
grandes profetas: Ibraim, Musa, Issa e Maomé. Seu primeiro filho, Ismael,
nasceu de sua relação com Agar, escrava egípcia, camita, portanto, negra, visto
como Gn 10.6 e lCr 1.8 colocam Etiópia, Egito, Líbia e Canaã como filhos de
Cam. Além disso, Deus sustentou, no deserto, essa mulher negra e seu filho e,
mais ainda, concedeu-lhe o privilégio de uma teofania, isto é, apareceu diante
dela e lhe falou (Gn 16.1-16; 17.23-27; 21.8-21). Através de Ismael, Agar se
tornou a matriarca de numerosos povos beduínos que habitavam o sul da
Palestina. E, segundo outras tradições, tornou-se uma ancestral de Maomé, o
fundador do islamismo, tido como descendente de Ismael.
6.Da máxima importância, neste contexto, é uma tradição que envolve o próprio
Moisés, o líder máximo do povo de Deus, no AT, libertador do povo de Israel,
em seu Êxodo do Egito, fundador da fé “javista.” Grande profeta, que também
teve o privilégio de ser considerado, como Abraão, um amigo de Deus. Homem
ímpar, de quem se diz: “Nunca mais surgiu em Israel profeta semelhante a
Moisés” (Dt 34.10-12). Existem três diferentes tradições sobre a origem étnica
de sua esposa. Uma atribui a ela origem midianita (Ex 2.16-22; 3.1; 4.24-26;
18.1; Nm 10.29). Outra, uma origem quenita (Jz 1.16; 4.11). A terceira fala de
seu casamento com uma cuxita (etíope, negra; Nm 12.1). Em todas as três, o
grande libertador de Israel tem por esposa uma mulher estrangeira. A terceira
tradição fala de uma esposa etíope, embora num texto que contém algumas
dificuldades. Qualquer que seja a solução das dificuldades, o texto indica, de
maneira suficientemente clara, que se trata de um casamento recente e, por
3
conseguinte, a esposa mencionada não era Zípora. E mais, que a causa da
rebelião de Minam foi a posição de Moisés como mediador único entre Deus e o
povo (Nm 12.2). Conclui-se, então, que não há nenhuma recusa contra o fato,
que é aceito, portanto, como normal, de que o fundador e legislador do povo de
Israel, -- o homem com quem Deus falava "face a face", a quem colocara “como
responsável” por todo o seu povo, -- o fato de que Moisés tivesse desposado
uma cuxita, uma mulher etíope, uma mulher negra.
7. Salomão foi, segundo a tradição, o mais sábio, o mais rico e o mais famoso
dos reis de Israel, e construtor do primeiro templo de Jerusalém. Pois bem, entre
as mais importantes raínhas-esposas de Salomão, estava a filha de um faraó da 2
ia dinastia, o faraó Shishak (cerca de 945-924 a.C.), pertencente a uma dinastia
de famosos mercadores. Essa egípcia era a mais importante das raínhas-esposas.
Seu pai tomou a cidade de Guézer dos canaanitas e deu-a como dote à filha, à
esposa camita, à rainha-esposa negra de Salomão (1Rs 3.1; 9.16; 11.1).
II
Temos, na Bíblia, o testemunho sobre a imagem dos negros como pareciam aos
olhos dos israelitas.
1. Os etíopes habitavam num país distante, remoto (Ez 29.10; Et1.1; 8.9), que
ficava nos confins da terra (Sl 72.8-9). No mundo da cultura grega, igualmente,
Homero, no nono ou oitavo século a. C., dizia: “Posêidon, porém, partira para
longe, em visita aos etíopes, que vivem nos confins da Terra...” (Odisséia 1.22-
24).
2. Seu pais era muito rico (Is 45.14a; Jó 28.19). Também no mundo da cultura
grega, talvez um século depois dessa passagem bíblica, Heródoto fala de
presentes enviados por Cambises, da Pérsia, a um rei dos etíopes: “um traje de
púrpura, um colar de ouro, braceletes, um vaso de alabastro cheio de essência e
um barril de vinho de palmeira”; e registra que só em relação ao invento do
vinho o rei etíope admitiu a superioridade dos persas. Relata que, na prisão a
que o soberano etíope levou, em visita, os emissários de Cambises, todos os
presos estavam agrilhoados com correntes de ouro, pois, afirma Heródoto, entre
os etíopes não era o ouro o metal mais raro e precioso, mas o cobre (História,
livro m, cps. XX-XXIII).
3. Eram um povo guerreiro. Um povo forte e orgulhoso, de quem o mundo
inteiro tinha medo (Is 18.2; cf. 2Cr 14.8). Esse capítulo de Isaías de Jerusalém
(8o. século a.C.) fala-nos de mensageiros, de diplomatas etíopes, que tinham
vindo tentar conseguir a participação de Judá numa rebelião geral contra a
dominação dos assírios (Is 18.1-2a). A Etiópia estava no auge de seu poder. Em
cerca de 725 a.C., Pianki empreendeu uma vitoriosa campanha militar para o
norte, chegando até o mar Mediterrâneo, e unificou o Egito. Pianki tornara-se,
assim, o primeiro conquistador estrangeiro desse pais. Por cerca de sessenta
anos, na 25a. dinastia, os soberanos etíopes controlaram todo o vale do rio Nilo,
até 663, quando os assírios, sob Assurbanipal, tiraram, finalmente, o Egito de
sob seu poder. Um desses soberanos, Tiraká, parece ter até tentado proteger
Ezequias, rei de Judá, contra a segunda invasão de Senaqueribe, rei da Assíria
4
(2Rs 19.9; Is 37.9), entre 689 e 686 a.C. Um século mais tarde, ao prever a
queda de Ninive (portanto, do império assírio), o profeta Naum cita a destruição
de Tebas e, recordando o período áureo do poderio etíope, diz: “A Etiópia era a
sua força.” (Na 3.9). Isaias, no oitavo século a.C., diz da Etiópia do seu tempo:
«Povo forte e poderoso; um povo de quem o mundo inteiro tem medo" (Is
18,2df).
4. Mas é em Jr 13.23,-- que alguns comentadores cristãos têm interpretado
como se os antigos israelitas compartilhassem o moderno preconceito racial
ocidental, que identifica o negro com o mal -- onde pode, ao contrário, ser
encontrada uma confirmação da fama guerreira dos etíopes: “Pode um etíope
mudar a sua pele, ou um leopardo tirar as suas manchas?” Temos aqui um claro
paralelismo, recurso estilístico dos mais importantes da poesia hebraica. Aqui
ele é sinonímico, isto é, os termos do hemistíquio se equivalem, um por um,
termo por termo:
a. pode um etíope / b. mudar a sua pele,
a'. ou um leopardo / b'. tirar as suas manchas?
A associação dos termos é bastante espontânea e significativa: Etíope, homem
de uma nação poderosa e ameaçadora, que causava medo por seu valor militar;
Leopardo: animal feroz, imagem da força, da rapidez no bote, da agressão
violenta (Os 13.7; Is 11.6; Jr 5.6; Hab 1.8; Ct 4.8; De 7.6).
Não se trata, portanto, de preconceito racial. Quando muito, se trata de um
ressentimento implícito, gerado pelas freqüentes situações de guerra, nas quais
esse “povo de quem o mundo inteiro tem medo” aparecia, ou no papel de
inimigo ou como guerreiros mercenários, lutando lado a lado com o Egito,
apoiando seu imperialismo (1Rs 14.25s; 2Cr 14.8-14; Na 3.9; Jr 46.9; Ez 38.53).
O etíope, o negro, temível guerreiro, é comparado, por uma livre associação de
idéias, a um verdadeiro leopardo feroz. À imagem do etíope associava-se a
imagem do leopardo, o que, nem de longe, se compara aos estereótipos que se
ligam à imagem do negro, em nossa sociedade.
5. Os etíopes, os negros, eram vistos pelos olhos dos israelitas antigos, como
homens belos. As palavras lisonjeiras da diplomacia com que Isaias se refere a
eles (Is 18.2bcd) transpiram admiração. Falam de sua alta estatura, de sua pele
lisa, lustrosa, suave. Também nisso concorre e concorda o mundo da cultura
grega. Heródoto, já citado anteriormente, diz a respeito dos etíopes: “Dizem que
os etíopes são, de todos os homens, os de maior estatura e de mais bela
compleição física... Entre eles, o mais digno de usar a coroa é o que apresenta
maior altura e força proporcional ao seu porte" (História, Livro III, cp. XX).
6. No Cântico dos Cânticos 1.5, fazem da noiva-rainha uma mulher morena,
uma mulher trigueira, uma mulher escura. Mas bons dicionários da língua
hebraica nos garantem afirmá-la uma mulher negra. Ela não diz: “Sou morena”,
mas, “Sou negra” (hebr. Sh.hora 'ani). E não diz:"Sou negra, mas sou formosa";
Diz: “Sou negra e formosa” (hebr. W.na'wah). A conjunção waw pode ter
sentido adversativo, mas é, normalmente. uma simples conjunção aditiva. Podese,
portanto, com fez a LXX (Septuaginta, 250 a.C.), traduzir: “Sou negra e
5
formosa” -Mélaina elmi kai kalê. Fica quase a certeza de que o senso estético
preconceituoso e etnocêntrico dos tradutores ocidentais não lhes permite dizer,
simplesmente, “negra e formosa”; preferem dizer “negra, porém formosa" ou
«formosa, embora negra". E nem mesmo «negra" a dizem. Como grande parte
dos brasileiros, inconscientemente (?) preconceituosos, preferem chamá-la
“morena.” E nada empana, nem mesmo essa noiva negra e formosa, esse amor
entre a noiva e o noivo, descrito de maneira tão poética, tão livre e
eloqüentemente, que faz do Cântico dos Cânticos um dos mais belos poemas de
amor da literatura universal.
III
Mais do que isso, temos na Bíblia o testemunho bastante explícito sobre o lugar
dos etíopes, dos negros, no propósito universal e escatológico de Deus.
1. Sua conversão está anunciada abundantemente. Haverá o dia em que
também eles trarão ao SENHOR as suas oferendas. Todas as nações distantes
louvarão o SENHOR. Todos os povos abandonarão seus ídolos e adorarão e
obedecerão somente ao SENHOR (Is 41.1,5; 42.4,10,12; 49.1; 18.7). Superada a
alienação, a idolatria, os povos chegarão a reconhecer no projeto da Aliança o
único caminho possível (Is 45.14).
2. Na mesma perspectiva, falam: a) o salmo 68, especialmente os vv. 29-32,
onde se encontra a seguinte promessa: “E a Etiópia estenderá as mãos para
Deus”; e b) o salmo 87, onde se declara que “O SENHOR escreverá uma lista
dos povos, e nela todos eles serão cidadãos de Jerusalém"(v.6); e, entre esses
povos, são citados, especificamente. os etíopes: “Os povos da Filistéia, de Tiro e
da Etiópia eu tratarei como se eles tivessem nascido em Jerusalém” (v.4b).
3. Mais significativo ainda é Am 9,7. 0 SENHOR Deus é o Senhor de toda a
história humana e todos os povos são iguais diante dele. Israel não deve
presumir ter mais importância para o SENHOR do que os etíopes, os negros:
“Povo de Israel, eu amo o povo da Etiópia tanto quanto amo vocês”. Os filisteus
e arameus foram também objetos do cuidado divino, e suas migrações foram
igualmente dirigidas pela vontade soberana do mesmo Deus que tirou Israel da
terra do Egito e lhe fez a dádiva da terra “que mana leite e mel”. Esse
universalismo expresso no oráculo do profeta nega a qualquer povo uma relação
exclusiva com Deus e afirma a igualdade de todos eles aos olhos dele. E a
relação que é primeiro apresentada nessas vigorosas palavras é a do SENHOR
com os etíopes. Essas palavras combatem qualquer veleidade de orgulho
nacional e, para o nosso tempo e para a nossa sociedade, qualquer sentimento de
orgulho racial.
4. É nessa mesma linha que se coloca a narrativa da conversão do oficial
superior, tesoureiro real, da corte da rainha Candace da Etiópia. A conversão se
deu por intermédio do ministério do evangelista Filipe (At 8.26-39). O texto é
de grande importância, pois mostra:
a.como os helenistas, tendo evangelizado Samaria, partem para a evangelização
das nações, de acordo com o programa do Senhor Jesus, em At 1.8; b. um
6
trabalho missionário cristão com uma estrutura reduzida e sob a orientação
direta do Espírito Santo; embora, assim mesmo, esse trabalho estivesse
subordinado aos apóstolos, em Jerusalém; c. sobretudo, para os
afrodescendentes, é importante porque mostra que o primeiro não-judeu
introduzido, pelo poder e pela orientação do Espírito Santo, no novo povo de
Deus, era um etíope, um negro.
Cumprem-se, portanto, no Evangelho de Cristo, a promessa e a esperança do
AT. A partir de Is 53.7-8, que o eunuco está lendo, Filipe lhe anuncia a Boa
Nova a respeito de Jesus. E ele aceita, imediatamente essa Boa Nova. Para José
Comblin “o africano representa aqui um papel messiânico. Foi escolhido para
representar a multidão de nações que viriam até das extremidades da terra pra
formar o único povo de Deus”. Era um homem rico e proeminente. Viera do
norte da África, da região hoje correspondente ao Sudão, para adorar. Era um
homem que estava diligente, sincera e insistentemente, buscando alguma
coisa. Inquieto, procurava alguma coisa que jamais tinha conhecido antes - e a
encontrou. Era um homem negro, que se tornou uma das primícias das missões
cristãs em todo o mundo não-judaico. Ele tornou-se o antepassado de todos os
homens negros, afrodescendentes, ganhos para a fé em Jesus, nesses vinte e um
séculos de história da Igreja e da missão cristã. Um símbolo de inclusão no
projeto do Deus que não faz acepção de pessoas e que, se jamais manifestou
alguma preferência, foi pelos oprimidos, os humilhados, os excluídos.
Do ponto de vista da Bíblia, não há, portanto, por que nós, afrodescendentes,
carregarmos nossa negritude como se fosse um fardo, uma humilhação, idéia
nefasta essa que o racismo anti-negro presente em nossa sociedade insiste em
introjetar, desde nossos primeiros anos de escola, de diversas maneiras, em
muitos de nós. A Bíblia reconhece um Deus que inclui no seu projeto de
salvação até mesmo “os confins da terra” e os humilhados deste mundo*. A
Bíblia dá testemunho da beleza e da força da mulher negra e do homem negro. E
esse reconhecimento e esse testemunho devem constituir um poderoso impulso
para nós, negros cristãos, em nossa luta pela igualdade de oportunidade, pela
nossa cidadania, pelo pleno reconhecimento de nossa humanidade!
----------
Joaquim Beato
*Portanto, do ponto de vista das justificativas bíblicas que nossos fundamentalistas
evangélicos estão prontos a sacar de suas versões ultra-conservadoras,
onde se poderá sustentar corretamente o que a Bíblia diz sobre negros oprimidos
pelo racismo, aqui e em qualquer parte do mundo? Esse assunto deveria ser
tratado com mais seriedade nas igrejas. Os jovens poderiam ser agentes do
Reino de Deus exigindo mais atenção da Teologia e da Igreja para com o
racismo latente, do qual se poderia dizer que não passa de brasas sob a cinza
(Nota do Editor).

O NEGRO NA BÍBLIA.

Fonte: AfroeducAÇÃO
Terça, 10 de março de 2009
Entrevista com o pastor Selmo Ricardo Reis, sobre a probabilidade de Jesus e de Adão terem sido negros.

Pastor Selmo Reis, o primeiro
batista brasileiro a representar
o Brasil na “Cúpula Internacional
dos Batistas contra o racismo”
Selmo Ricardo Reis é bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil e licenciado em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Pastor auxiliar na Saint John Primitive Baptist Church de Delray Beach, Flórida – uma igreja afro-americana -, ele é o primeiro batista brasileiro a representar o Brasil na “Cúpula Internacional dos Batistas contra o racismo”. Nessa entrevista, o pastor mostra, com base em fatos narrados na Bíblia – a bibliografia mais importante dos cristãos – a grande probabilidade de Jesus e de Adão terem sido negros, conforme a região que habitavam.

Por DJ TR¹ (www.enraizados.com.br)
Colaboração para AfroeducAÇÃO
DJ TR:
A Bíblia diz, no capítulo 2 do Livro de Gênesis, que Deus formou o homem à sua imagem e semelhança e o colocou em um local conhecido como 'Jardim do Éden' para a sua sobrevivência. Segundo as Escrituras, o Éden era banhado por um rio que possuía quatro afluentes e um deles era o Eufrates. Este rio está localizado no país atualmente conhecido como Iraque, que fica no Oriente Médio. Dessa maneira, como o senhor explica a imagem branca de Adão, divulgada ao longo dos séculos?

Pastor Selmo Ricardo Reis:
Esta pergunta requer uma série de considerações. A primeira delas é: em que área geográfica Deus criou o primeiro homem? A Bíblia relata que “Deus formou o homem do pó da terra” (Gênesis capítulo 2, versículo 7). Por isso, seu nome Adão (que remete à palavra terra) foi-lhe dado, a fim de que estivesse sempre consciente de sua origem física.
Após dar vida ao homem, Deus plantou um jardim ao leste do Éden e o colocou ali. Com base nesse texto, é possível afirmar que o Éden já existia, antes do “Jardim” que Deus preparou.
Quando se diz que o “Jardim” estava ao oriente, não era outra coisa senão o oriente de Israel. O mesmo diz respeito aos rios Tigre e Eufrates. Estes rios são fáceis de identificar, porque ainda fluem atualmente.
A Bíblia relata que houve um grande dilúvio que dizimou toda a população pós-adâmica (os primeiros descendentes de Adão), exceto Noé e sua família. Esta catástrofe causou uma mudança em toda a geografia terrestre.
Alguns estudiosos afirmam que as mudanças catastróficas dividiram o planeta em continentes - na verdade, se observarmos os continentes, veremos que se encaixam como um quebra-cabeça: o continente africano é ligado à Ásia, através do Egito, e ainda assim, não é considerado um só continente com a Ásia. É possível que tal conversão tenha sido deliberada politicamente, como fora a imposição das fronteiras dos países africanos.
Além disso, provavelmente, antes do grande dilúvio, havia uma extensão maior de terra que ligava a atual Somália ao Yemen e a Etiópia a Arábia, completando, assim, a falha que corta, quase que por inteiro, o continente africano do continente asiático.
Seguindo tal raciocínio, é muito mais fácil compreender as ligações entre os quatro rios das diferentes regiões que a Bíblia apresenta. Sem a presença do Mar Vermelho, a África seria um “Supercontinente“ e, portanto, não haveria nenhum problema afirmar a possível negritude de Adão.


A área mostrada em verde no mapa representa o “Jardim do Éden”,
que foi alagado, quando as águas do golfo subiram de nível
DJ TR:
A Igreja Católica, durante séculos, apresenta a figura de um Cristo branco, loiro e de alhos azuis. Essa é a verdadeira face de um judeu daquela época?

Pastor Selmo:
A BBC de Londres já fez um grande documentário que sugere a possível aparência negra de Jesus Cristo. É interessante que, há quase dois milênios, os crentes etíopes já o representavam com pele escura.
A Bíblia também afirma que os pais de Jesus, fugindo da perseguição do Rei Heródes, levaram Jesus para o Egito, a fim de o esconderem até que a ira do rei se abrandasse. Todos sabem que o Egito é um país africano cujo povo jamais foi totalmente branco, por isso, como seria possível Jesus e sua família se esconderem com segurança num país desses, se fossem brancos de olhos azuis? Seriam reconhecidos rapidamente.
Um Cristo branco, de cabelos lisos e olhos azuis era exatamente o que representava o catolicismo romano em sua origem. Na verdade, era essencial mostrar um Cristo branco, semelhante ao povo dominador de todos os demais povos.
Bem, nós sabemos que as religiões chamadas 'cristãs', que não apresentam a Bíblia como fonte de pesquisa livre para todos, não se interessam em apresentar o caráter fiel de Jesus, pelo contrário, manipulam os povos em nome do seu Cristo, produto de seus interesses.
Por causa disso, inúmeros povos foram discriminados, por não terem nenhuma semelhança racial com os personagens bíblicos. Anjos louros, profetas pálidos como a neve, Cristo branco e até mesmo um Deus Pai, na forma humana, europeu, foram apresentados pela Igreja Católica, a fim de garantir o poder da raça branca, ignorando a afirmação bíblica de que Deus Pai é Espírito, e de que ninguém jamais o viu.
No início do ano 2003, a Rede Globo de Televisão apresentou uma reportagem feita no sul do Brasil sobre uma imagem negra de Maria, mãe de Jesus, que veio da Itália, há quase um século. Ao chegar na comunidade, o povo da igreja não conseguiu aceitar uma mãe de Jesus de aparência africana e, assim, exigiram que a imagem fosse pintada de branco.

DJ TR:
O que o senhor diria àqueles que desejam se aprofundar acerca da nossa história, por meio da Bíblia?

Pastor Selmo:
Leiam a Bíblia, não mais como um livro branco, feito por brancos e para brancos, pelo contrário, leiam-na de maneira inclusiva, vejam-se no conteúdo sagrado e tenham orgulho de saber que seus ancestrais deixaram um grande legado para ser apreciado e ser vivido nas Escrituras Sagradas.
Ademais, o Cristo da Bíblia nunca se identificou com opressores, pelo contrário, estava sempre ao lado dos oprimidos. Seu grande ensino, que é uma arma eficaz contra o racismo em todo o mundo, está presente no conteúdo de sua mensagem: 'Amai ao próximo, como a ti mesmo, e a Deus sobre todas as coisas'.

DJ TR:
Certa ocasião, em uma palestra, o senhor disse que Deus odeia o racismo. Existe na Bíblia alguma passagem que registra a atitude racista do homem e a providência de Deus contra isso?

Pastor Selmo:
Há uma passagem na Bíblia que apresenta uma situação de discriminação. Ela está no livro de Números (capítulo 12, versículos de 1 a 12), onde Miriam e Arão, irmãos do profeta Moisés, se queixaram com ele, porque se casara com uma mulher 'cuxita' (transliteração da palavra hebraica “cushit”, que significa “preta”).
Mais tarde, esta mesma palavra foi substituída pelos gregos, pela palavra 'etíope', que significa 'pele queimada'. Após a discriminação sofrida por 'Zipora', mulher de Moisés, Deus puniu a Miriam com lepra, tornando sua pele 'branca como a neve'. Isto quer dizer que tanto Miriam como seu povo, não eram, de fato, brancos (como os europeus geralmente representam os personagens bíblicos).

Quer saber mais?
Entre em contato com o Pastor Selmo pelo e-mail prsel41@yahoo.com Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.

¹ DJ TR é morador da Cidade de Deus e membro-fundador do COMDEDINE (Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro) e da Zulu Nation Brasil (entidade representante das causas do movimento hip-hop no Brasil).

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A EXPULSÃO DE DEUS.

Finalmente, a verdade é dita na TV Americana: A filha de Billy Graham estava sendo entrevistada no Early Show e a apresentadora Jane Clayson perguntou a ela:

Como é que DEUS teria permitido algo horroroso assim acontecer no dia 11 de setembro? Anne Graham deu uma resposta extremamente profunda e sábia. Ela disse:

Eu creio que DEUS ficou profundamente triste com o que aconteceu, tanto quanto nós. Por muitos anos nós temos dito para DEUS não interferir em nossas escolhas, sair do nosso governo e sair de nossas vidas. Sendo um cavalheiro como DEUS é, eu creio que Ele calmamente nos deixou.

Como poderemos esperar que DEUS nos dê a Sua bênção e Sua proteção se nós exigimos que Ele não se envolva mais conosco? À vista dos acontecimentos recentes, ataque dos terroristas, tiroteio
nas escolas, etc.

Eu creio que tudo começou desde que Madeline Murray O'Hare (que foi assassinada e seu corpo encontrado recentemente), se queixou de que era impróprio se fazer oração nas escolas americanas como se fazia tradicionalmente, e nós concordamos com a sua opinião. Depois disso, alguém disse que seria melhor também não ler mais a Bíblia nas escolas... A Bíblia que nos ensina que não devemos matar, não devemos roubar, e devemos amar o nosso próximo como a nós próprios. E nós concordamos.

Logo depois, o Dr. Benjamin Spock disse que não deveríamos bater em nossos filhos quando eles se comportassem mal, porque suas personalidades em formação ficariam distorcidas e poderíamos prejudicar sua auto-estima (O filho do Dr. Spock cometeu suicídio). E nós dissemos: "um perito nesse assunto deve saber o que está falando", e então concordamos com ele.

Depois alguém disse que os professores e os diretores das escolas não deveriam disciplinar os nossos filhos quando eles se comportassem mal. Os administradores escolares então decidiram que nenhum professor em suas escolas deveria tocar em um aluno quando se comportasse mal, porque não queriam publicidade negativa, e não queriam ser processados.
(Há uma grande diferença entre disciplinar e tocar, bater, dar socos, humilhar e chutar, etc.) E nós concordamos com tudo.

Aí alguém sugeriu que deveríamos deixar que nossas filhas fizessem aborto, se elas assim o quisessem, e que nem precisariam contar aos pais. E nós aceitamos essa sugestão sem ao menos questioná-la.

Em seguida algum membro da mesa administrativa escolar muito sabido disse que, como rapazes serão sempre rapazes, e que como homens iriam acabar fazendo o inevitável, que então deveríamos dar aos nossos filhos tantas camisinhas quantas eles quisessem, para que eles pudessem se divertir à vontade, e que nem precisaríamos dizer aos seus pais que eles as tivessem obtido na escola. E nós dissemos, "está bem". Depois alguns dos nossos oficiais eleitos mais importantes disseram que não teria importância alguma o que nós fizéssemos em nossa privacidade, desde que estivéssemos cumprindo com os nossos deveres. Concordando com eles, dissemos que para nós não faria qualquer diferença o que uma pessoa fizesse em particular, incluindo o nosso presidente da República, desde que o nosso emprego fosse mantido e a nossa economia ficasse equilibrada.

Então alguém sugeriu que imprimíssemos revistas com fotografias de mulheres nuas, e disséssemos que isto é uma coisa sadia, e uma apreciação natural da beleza do corpo feminino. E nós também concordamos.

Depois uma outra pessoa levou isto a um passo mais adiante e publicou fotos de crianças nuas e foi mais além ainda, colocando-as à disposição na Internet. E nós dissemos, "está bem, isto é democracia, e eles têm direito de ter a liberdade de se expressar e fazer isso".

A indústria de entretenimento então disse: "Vamos fazer shows de TV e filmes que promovam profanação, violência e sexo explícito. Vamos gravar música que estimule o estupro, drogas, assassínio, suicídio e temas satânicos". E nós dissemos: "Isto é apenas diversão, e não produz qualquer efeito prejudicial. Ninguém leva isso a sério mesmo, então que façam isso"!

Agora nós estamos nos perguntando por que nossos filhos não têm consciência, e por que não sabem distinguir entre o bem e o mal, o certo e o errado, por que não lhes incomoda matar pessoas estranhas ou seus próprios colegas de classe ou a si próprios...

Provavelmente, se nós analisarmos tudo isto seriamente, iremos facilmente compreender que nós colhemos exatamente aquilo que semeamos!

Se uma menina escrevesse um bilhetinho para DEUS, dizendo:
"Senhor, por que não salvaste aquela criança na escola"?
A resposta Dele seria:

"Querida criança, não me deixam entrar nas escolas! Do Seu DEUS".
É triste como as pessoas simplesmente culpam DEUS e não entendem por que o mundo está indo a passos largos para o inferno. É triste como cremos em tudo que os jornais e a TV dizem, mas duvidamos do que a Bíblia nos diz. É triste como todo o mundo quer ir para o céu, desde que não precise crer, nem pensar ou dizer qualquer coisa que a Bíblia ensina.

É triste como alguém diz: "Eu creio em DEUS", mas ainda assim segue a Satanás, que por sinal, também "crê" em DEUS. É engraçado como somos rápidos para julgar, mas não queremos ser julgados! Como podemos enviar centenas de piadas pelo email, e elas se espalham como fogo, mas quando tentamos enviar algum email a respeito de DEUS, as pessoas têm medo de compartilhar e reenviá-lo a outros!

É triste ver como o material imoral, obsceno e vulgar corre livremente na Internet, mas uma discussão pública a respeito de DEUS é suprimida rapidamente na escola e no trabalho.

É triste ver como as pessoas ficam inflamadas a respeito de Cristo no domingo, mas depois se transformam em cristãos invisíveis pelo resto da semana.

(Transcrito pelo Pr. Henrique Coutinho)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O DEUS QUE SE OCULTA.

Texto: "Verdadeiramente tu és o Deus que te ocultas, o Deus de Israel, o Salvador". (Isaías 45:15) Nunca se viveu uma época em que o ser humano sentisse tanto a necessidade de se tornar o centro das atenções como em nossos dias. Pois, o humanismo é nada mais nada menos do que colocar o "homem" no centro de todas as coisas e, isso, somado a um contexto em que, tanto o capitalismo selvagem como o consequente consumismo exacerbado imperam no mundo pós-moderno. Estamos vivendo no auge da febre da "doutrina humanista" encharcando mentes e corações em todos os âmbitos da sociedade. Nas faculdades, nos meios de comunicação, nas religiões a ênfase antropocêntrica é mais do que evidente! Mas, afinal, o que há de errado em se colocar o homem como o centro de tudo? O que há de errado em se buscar os "holofotes da fama"? O que tem demais em se desejar os aplausos alheios? Não seria essa uma forma de se elevar a nossa auto-estima? Não estaríamos, com isso, contribuindo para que a pessoa estimulasse a sua autovalorização? Não seria esse um viés viabilizador de um trabalho social mais efetivo e contribuinte para uma sociedade mais igualitária? Em tese sim, mas a prática tem provado que tudo isso não passa de um engodo! Na verdade, o que temos assistido e, portanto, constatado é a produção e reprodução de pessoas egoístas, auto-centralizadas e, extremamente, materialistas. Mais uma vez fica evidente que o "TER" oculpa um lugar de maior importância do que o SER em nossos dias. E o que essas coisas teriam haver com Deus? NADA! Nada mesmo!!! E, digo isso, exatamente, porque essas coisas são a CONTRAPARTIDA do CARÁTER DE DEUS; são a contra mão dos desígnios de Deus. Enfim, são comportamentos totalmente antagônicos à forma de Deus agir. E, sem dúvida alguma, Deus age de várias e diferentes formas. Mas, uma das mais inusitadas formas de Deus agir é aquela forma que ninguém percebe, que ninguém enxerga, ninguém sente nem, sequer, sonha na possibilidade D'Ele estar presente. Esse, conforme o profeta Isaías, é O DEUS QUE SE OCULTA! Sim, é isso mesmo. Deus também age no silêncio, "às ocultas", "nas caladas da noite" (e do dia também). Ele é o Deus que se oculta sem, contudo, se omitir; é o Deus que se oculta sem ser indiferente nem, muito menos, insensível; é o Deus que se oculta sem ser ausente nem, mesmo, distante; é o Deus que se oculta sem medo de não aparecer; sem medo de não se ostentar; sem medo de não se autopromover. Ele é o Deus que se oculta porque quer se ocultar mesmo sabendo que seu arquiadversário (o Diabo) só deseje aparecer, pois isso é próprio do seu caráter e de todos quantos assim procedem. Deus não fica frustrado nem entra em crise se não aparecer. Pelo contrário, Ele gosta desse negócio de se ocultar. Não é à toa que seu Filho Jesus Cristo, em várias passagens dos Evangelhos, curava pessoas e pedia que não contassem; falava por parábolas ocultando a interpretação para as multidões, fariseus e doutores da lei; buscava se recolher a fim de recarregar as baterias em sua devocional a sós com o Pai; além de ensinar aos seus discípulos a cultivarem o lugar oculto da oração: " Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que {está} oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará." (Mateus 6:6); a jejuar sem chamar a atenção alheia: " para não pareceres aos homens que jejuas, mas sim a teu Pai, que {está} oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará."(Mateus 6:18); a dar esmolas sem esperar reconhecimento público: "para que a tua esmola seja {dada} ocultamente, e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente." (Mateus 6:4). No entanto, a triste realidade constatada é totalmente antagônica a essa tão singela forma de Deus agir. O quadro que ora presenciamos é de "líderes religiosos" competindo por uma espécie de "estrelato sacerdotal"; brigando pela conquista da fama; esforçando-se em ostentar um glamour existencial; esgotando-se para conquistar "níveis cada vez maiores de excelência ministerial", etc e etc. "...todas estas coisas os gentios procuram."(Mateus 6:32-a). Mas, independente de todas as ambiguidades e debilidades resultantes de uma religiosidade doentia, hipócrita, pretenciosa, prepotente e arrogante, DEUS AINDA É DEUS!!! O DEUS QUE SE OCULTA e que ainda está VIVO, ATIVO e intervindo no universo. AINDA QUE NÃO O PERCEBAMOS. Pr. Henrique Coutinho.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

"VALE QUANTO PESA!"

No início da década de trinta surgiu um sabonete que tinha por nome "Vale quanto pesa" cujo cheiro era bastante ativo, de formato oval sendo, depois, modificado para um formato retangular a fim de concorrer com um outro famoso sabonete da época (entre os anos 70 até o início dos anos 80) chamado "LEVER".

Lembro-me bem, embora criança, que o "Vale quanto pesa" vendeu bastante dada à agressiva campanha publicitária que fez buscando superar os seus concorrentes. Nessa campanha, era necessário que o consumidor encontrasse uma "réplica" de diamante dentro do sabonete a fim de ganhar prêmios anunciados nas propagandas de rádio e televisão. O resultado foi assombroso embora, em minha opinião, o "Vale quanto pesa" não tivesse lá essa qualidade toda. Assim tem acontecido no seio da Igreja Evangélica. Onde as pessoas são tratadas conforme seu "status quo", pela quantidade de bens que possuam ou, mesmo, pela sua aparência racial - "VALE QUANTO PESA!"

A Bíblia diz que "Deus não faz acepção de pessoas" (Atos 10:34), mas, infelizmente, não podemos dizer o mesmo do procedimento de certos líderes e adjacentes religiosos que criaram uma espécie de "sistema de castas piramidal" cujo clero se encontra no topo da pirâmide, a elite religiosa no centro e a plebe (povão) na base. Ou seja, embora ostentem um estilo de discurso voltado para Jerusalém, os pés continuam em Roma! E, isso, não só no que tange ao seu sistema de governo clerical, mas também em relação ao trato com seus subordinados os quais não têm vez nem voz nem vistas.

Nesse sistema as pessoas valem mais pelo o que elas têm do que pelo o que elas são. O "TER", segundo essa "teologia da prosperidade", vale muito mais do que o SER. É aquela velha história: "não importam os meios, os fins justificam os meios".
Não é de se admirar que exista um tão grande abismo separando o "modus- operandis" do sistema eclesiástico pós-moderno em contrapartida aos ensinos práticos do Senhor Jesus. Quais sejam:


25 "Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?

26 Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós MUITO MAIS VALOR do que elas?"

Mas, diferente do que nos ensina o nosso Mestre, os atuais "doutores da lei" preferem supervalorizar a busca pelo "MATERIALISMO EXACERBADO" em detrimento da valorização do ser humano. Por isso, "VALE QUANTO PESA!"


Pr. Henrique Coutinho.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

QUERO DEIXAR MINHA MARCA OU CARREGAR AS MARCAS DE CRISTO?

Texto: "Desde agora ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus" (Gál.6:17).

Conversando com um irmão, pastor e amigo sobre sonhos e projetos ministeriais, surpreendí-me com uma afirmação que, por duas vezes, fez questão de pontuar. Dizia ele: - "O meu sonho é deixar a minha marca através da realização dos meus projetos ministeriais". Ao que lhe respondí que não devemos estar preocupados em passar nesse mundo para "deixar a nossa marca", mas para trazer e manifestar em nosso corpo, em nossa vida, AS MARCAS DO SENHOR JESUS CRISTO!!!
Infelizmente, a grande tendência de líderes evangélicos, nos últimos dias, é da busca desenfreada por "deixar a sua marca" nesse mundo. E, isso, "deixar a sua marca", pode ser representado por ter seus nomes em evidência ante ao público e mundo evangélicos e, por eles, serem holofoteados e ovacionados ganhando, assim, toda a notoriedade. Pode, também, significar o desejo de construir um "monumento histórico", ou seja: um grande e suntuoso templo, uma linda catedral, uma rede ministerial mundial cujo patrimônio se tornará, assombrosamente, gigantesco, entre outras coisas.
Quando olhamos pra vida do Apóstolo Paulo (homem sujeito às mesmas fraquezas que nós), percebemos total despretenção no que tange ao desejo de se autopromover. Paulo não tinha nenhuma vocação para "marqueteiro da fé" nem, muito menos, para mercadejar a Palavra de Deus. Paulo não estava preocupado em ganhar notoriedade ante a sociedade de então; em eregir um grande monumento que fosse capaz de projetar o seu nome historicamente; em construir templos e catedrais impressionistas, até porque o máximo que sabia construir era tendas; não tinha nenhum interesse em "montar um mega- ministério" que podesse projetar o seu nome internacionalmente. Enfim, não pretendia divulgar nem vender nenhuma "marca denominacional" que tivesse como propósito promover a sua imagem para a posteridade. Pois, a única marca que se orgulhava de trazer, em seu próprio corpo, eram as marcas resultantes do sofrimento pelo Evangelho do Senhor Jesus Cristo!

"Quero deixar minha marca" é o mesmo que dizer: quero estar em evidência!
"Quero deixar minha marca" é o mesmo que dizer: quero ser o bam-bam-bam do pedaço!
"Quero deixar minha marca" é o mesmo que dizer: quero me auto-afirmar!
"Quero deixar minha marca" é o mesmo que dizer: quero massagear meu ego!
"Quero deixar minha marca" é o mesmo que dizer: quero ficar na história!
"Quero deixar minha marca" é o mesmo que dizer: quero um lugar de honra!
"Quero deixar minha marca" é o mesmo que dizer: QUERO O LUGAR DE CRISTO!

Ao passo que, por outro lado, dizer e viver o que Paulo afirmou por já ter vivido e por, ainda, estar vivendo, em seu próprio corpo, as consequências de uma vida totalmente entregue ao Evangelho de Cristo é demonstrar, na prática, que quem teve, de fato, a revelação do que seja caminhar na Graça de Cristo, jamais irá nutrir em seu coração a vaidade de "deixar a sua marca". Antes nutrirá o desejo de CARREGAR AS MARCAS DE CRISTO em toda a sua existência aqui na terra dos viventes. E o que significaria essa máxima chocante do Apóstolo Paulo? Vejamos:

CARREGAR AS MARCAS DE CRISTO é o mesmo que assumir o compromisso de viver a vida de Cristo com toda intensidade e, sobretudo, com toda autenticidade.

CARREGAR AS MARCAS DE CRISTO é o mesmo que permitir que Cristo viva a sua vida através de nossa existência entendendo que, em Cristo, com Cristo e para Cristo não há espaço para uma co-existência paralela à SUA VIDA em nós nem por meio de nós.

CARREGAR AS MARCAS DE CRISTO é o mesmo que estar disposto a não negociar a nossa aliança com ELE firmada diante das ofertas tentadoras que nos forem apresentadas.

CARREGAR AS MARCAS DE CRISTO é o mesmo que se despojar de toda e qualquer marca ritualística, dogmática e religiosa que, para nada mais serve, senão para nos promover diante dos homens e NOS HUMILHAR DIANTE DE DEUS!

CARREGAR AS MARCAS DE CRISTO é estar disposto a ser perseguido por causa da CRUZ DE CRISTO que é traduzida como o seu sacrifício vicário na cruz do Calvário.

CARREGAR AS MARCAS DE CRISTO é estar disposto a cometer um "duplo homicídio espiritual" morrendo para o mundo e fazendo com que o mundo morra para si.

CARREGAR AS MARCAS DE CRISTO é estar disposto a carregar a carga do outro como se fora a nossa própria carga e tratar a dor do pecado do outro como como se fora a nossa.

Diante de tal desafio, o que iremos escolher?
QUERO DEIXAR MINHA MARCA OU CARREGAR AS MARCAS DE CRISTO?

 Henrique Coutinho.
  (Servo da Graça)

sexta-feira, 31 de julho de 2009

MAIS: HOMOFÓBICOS CONTRA HETEROFÓBICOS – BEM MAIS...

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From: MAIS: HOMOFÓBICOS CONTRA HETEROFÓBICOS – bem mais...
Date: 15/08/2007 15:38
Subject: HOMOFÓBICOS CONTRA HETEROFÓBICOS
To: contato@caiofabio.com



Prezadissimo Reverendo Caio!
O seu texto é histórico e admirável. Quanta lucidez e sensibilidade.
Ocorreu-me apenas uma dúvida e fraternalmente desejo colocá-la. Usarei para tanto uma proposição do grande psicólogo Carl Rogers, que dedicou boa atenção ao fenômeno da comunicação entre as pessoas.
Rogers partia do seguinte princípio: há ruídos de comunicação que têm sua origem no não entendimento correto daquilo que se ouve ou lê. Daí, ele propõe como um jogo: quem está desejando entender melhor diz o que entendeu e pergunta ao outro se é isto mesmo. Na seqüência, o outro diz o que entendeu sobre o que foi perguntado e diz o que entendeu. E assim a coisa segue, até que as partes concluam que estão bem entendidas sobre o que escrevem ou falam.
Então, vamos lá:
Eu entendi que o seu texto desautoriza guerras teóricas em torno da homossexualidade ou da heterossexualidade em nome de Jesus, porque ele demonstrou amor por ambas as manifestações, sem a necessidade de estar dando justificativas específicas, desde que o mandamento do Amor não exclui ninguém.
O que não entendi: se a partir do raciocínio acima fica excluída ou não a necessidade de esclarecimento quanto à homofobia manifesta por vozes ditas religiosas.

Desde já sou imensamente agradecido pela sua atenção.

Paz em Cristo,

Edson Nunes



Resposta:
Edson querido: Graça e Paz!
Numa sociedade democrática e dita civilizada conforme os parâmetros de ambição humana do “Cristianismo” subjacente na cultural ocidental, é direito de indivíduos e de grupos o manifestarem-se conforme suas consciências acerca de abusos que sintam serem perpetrados contra eles.
Assim, que se ande nos ditames da Constituição e nos melhores pilares do respeito humano que a consciência da Humanidade produziu. Para isto existem fóruns e representações próprios — diria o legislador romano diante dos judaizantes que acusavam Paulo de libertinagem e subversão (Atos dos Apóstolos).
Ora, com isto eu não digo que esse é o caminho do discípulo. Não! Digo que este pode ser o caminho do cidadão.
Entretanto, o que digo não é jurídico, é espiritual; e só se discerne espiritualmente.
Tudo o que disse acima é humano, e humanamente bom e digno. Afinal, a lei foi feita para transgressores, segundo Paulo, e, em havendo transgressão contra a vida, os fóruns e ministros da justiça humana, quando justos são, tornam-se ministros de Deus na busca de conciliações ou de justiça entre partes em divergência.
Todavia, nenhum dos meus textos trabalha com categorias terrenas. Pois, se quero pregar o Evangelho, tenho que crer e viver por outra justiça; a qual excede a dos “escribas e fariseus” — grupos esses [sempre-vivos-mortos] que no momento guerreiam entre si em razão de uma questão Moisaica-Freudiana: o lugar do pênis no mundo.
Ora, se alguém quer viver conforme os direitos das leis deste mundo, tanto pode atacar quanto se defender usando a lei. No Evangelho, todavia, não é assim.
O Evangelho não ensina nenhuma transformação pela legislação. Ora, o Evangelho diz que a Lei de Moisés não foi capaz, e apenas gerou transgressores hipócritas; portanto, como poderia propor a cura pela legislação?
Se legislação curasse o Brasil seria o Paraíso da Sanidade Integral!
O problema é que ação gera reação, e, assim, a neurose homofóbica gera a paranóia heterofóbica.
A neurose homofóbica se manifesta geralmente em religiosos cristãos talibanenses; e a paranóia heterofóbica se avoluma na resposta agressiva dos homossexuais que hoje têm amparo Constitucional (exceto em alguns países islâmicos) para enfrentar qualquer que seja a Santa Inquisição de Morais e Costumes.
O que daí procede não realiza nada senão ódio!
Os homofóbicos dizem que desejam proteger suas famílias das influencias homossexuais na mídia e nas ruas (para simplificar).
O problema é que se ausência de mídia homossexual ou demonstrações do gênero impedissem o surgimento de homossexuais na terra, não haveria homossexuais entre os islâmicos e nem tampouco entre índios ou povos primitivos.
Quem assim pensa nega a complexidade caída da natureza humana; e, lá no fundo, crê mais na lei que no poder do amor.
Os que severamente pensam que podem coibir tais coisas lutando e rosnando contra elas, sem o saberem [usando não Rogers, mas Jung], criam nuvens de densas sombras psicológicas sobre seus próprios filhos; de tal modo que a maioria dos que hoje, tendo filhos pequenos, tornam-se os “Templários” dessa Cruzada contra os Homo-infiéis [usando a terminologia dos Cruzados], sem o saberem estão criando seus pequenos filhos para tornarem-se gays; e isso em razão de que a pulsão de ódio (mal; a árvore é do bem e do mal) surgirá como desejo curioso e futuramente compulsivo em seus próprios filhos.
É esperar e ver; e não é profecia, mas apenas experiência pelo conhecimento da História e pela observação humana.
Desse modo, o tiro está fadado a sair pela cu-latra; literalmente.
Se os crentes sinceros têm preocupação com a proliferação de gays na sociedade, então, que façam apenas as seguintes coisas:

1.Que criem seus filhos sem preconceito contra gays, pois, se os criarem preconceituosos, na adolescência ou primeira juventude eles [os pais] pensarão que foram visitados pelo diabo em suas casas; mas o diabo terá sido apenas a projeção da sombra indutora que eles carregavam no coração.

2.Que saibam que a maioria dos gays que surgem do meio “religioso” são filhos desses pais severos em sua obsessão com o tema.

3.Que todo tema único revela um estado de tara apresentada como antítese do desejo enrustido. Assim, ao odiarem os gays eles confessam um desconforto que somente os tentados sofrem.

4.Que a única forma de combater o homossexualismo (que é uma ideologia assim como a homofobia) é apenas sendo natural com a sexualidade; pois, o que o homossexualismo traumatizado procura para se afirmar é justamente um bando de religiosos homofóbicos.

5.Que todo homossexual tem que ser amado assim como todo heterossexual; pois, Deus não faz acepção de pessoas; nenhuma.

6.Que um gay tratado com respeito, na luz, pode até não deixar de ser gay; mas jamais será um viado, uma bicha louca, um travesti, ou um pederasta ou pedófilo. Afinal, quem conhece sabe que por trás de todas as plumas e paetês o que há é um pai tarado de raiva, e um filho disposto a chocá-lo até onde for possível.

7.Que há gays; e outros que são doentes sexuais; assim como há heterossexuais e outros que são tarados sexuais. Portanto, a questão não é legislativa [até que se torne um embate de violências mutuas], mas sim de amor e misericórdia. Afinal, por que tem que ser diferente?


Quanto aos gays [e homossexuais em geral] o que penso é o seguinte:

1.Que ser gay não é normal; e, portanto, quem vive tal condição deve ter o mesmo carinho pelo todo que qualquer pessoa que sabe que seu estilo de vida não é confortável para a maioria, deve ter; ou seja: andar sem hipocrisia, porém, com modéstia e discrição.

2.Que é um direito cidadão de qualquer um ter e fazer a escolha sexual que desejar. Porém, assim como sexo se faz em lugares próprios, a pratica [gay] também requer cautelas maiores; pois, gente madura não deseja provocar desnecessariamente quem pensa e sente diferente.

3.Que nenhum homofóbico se converterá à misericórdia aos gays, se os gays não se converterem à misericórdia para com os homofóbicos.

4.Que o ser gay com honestidade é uma coisa; mas que o ser militante do homossexualismo é outra completamente diferente; pois, o militante do homossexualismo é um pregador à moda chata de um pentecostal pregador de uma causa que não é natural; já o gay é apenas um individuo dentro de um estado, condição ou mesmo opção pessoal, mas nunca deve entrar numa cruzada de divulgação ideológica de um projeto. Ser gay não é projeto pra ninguém.

5.Que não existe a menor chance de dialogo entre as partes [e nem mesmo é necessário; enquanto as partes forem assim…]; porém, nesse caso, a melhor comunicação é aquela feita pelo silencio da oração e que se expressa por gestos de reverencia humana mútua.


Quanto à lei que li e que se pretende oficializar se for possível, até onde li rapidamente, ela não dá direito especial nenhum aos gays, mas apenas impede que em razão da condição sexual de quem quer que seja, haja discriminação ou mesmo o uso de palavras acintosas.
Ora, eu creio que se fosse o inverso [ou seja: se a maioria fosse heterofóbica], os que estivessem sendo objeto de preconceito, desejariam os mesmo tratamento; assim como [por, exemplo] os negros pediram, pedem, reivindicam, e precisam obter.
Ser negro e ser gay não é a mesma coisa, diria um negro homofóbico. Eu, porém, digo: o preconceito, no entanto, mata do mesmo jeito.
Ora, tudo o que disse acima é apenas a expansão aplicada do que Jesus disse:

“O que quereis que os homens vos façam, isto fazei primeiro a eles”.

Jesus quebra esse carma diabólico mandando que o desejo de respeito seja dado antes, a fim de estabelecer o padrão de tratamento que se deseja receber.
Só mais uma coisa:
Os crentes em geral brigam essas brigas que nada têm a ver com o Bom Combate, entre outras coisas, porque eles crêem que a Bíblia é mais a Palavra de Deus do que Jesus.
Eles dizem que a Bíblia é a Palavra de Deus, e se alguém disser que ela apenas contém a Palavra, tal pessoa vai para a fogueira…
Todavia, assim fazendo, eles cometem um grande erro; pois, nesse caso, como Jesus está contido entre as capas da Bíblia, pela mesma lógica, Jesus não é a Palavra de Deus, mas apenas está nela; ou seja: contido na Bíblia.
Ora, quando Jesus não é a Palavra de Deus Encarnada, completa, explicada, aplicada e interpretada pelos Seus atos e modos de ser — mas apenas o “centro” da Bíblia [sendo a Bíblia a totalidade], o que se estabelece é isto:

Uma moça me escreve e me diz que se ficarmos só com o que Jesus disse a gente fica com muito pouco.
Entretanto, se alguém disser que a Bíblia contém a Palavra, pois, já não a é toda, tal pessoa [a que assim disser] será por essa mesma moça [teóloga] execrada.
E por quê?
Ora, é que os evangélicos, por exemplo, não se satisfazem com Jesus apenas; pois, em Jesus apenas, não há amparo para todos os preconceitos e ações de natureza “Islâmica” [no pior sentido] que eles [certos crentes] gostariam de perpetrar como forma de poder e controle sobre os “pecadores”.
Assim, para eles, a Bíblia é a Palavra de Deus [e isto é bom, pois, sobra o Levitico para baixar o pau nos transgressores sem poder]; e Jesus é o bom-bom; é a cerejinha.
Desse modo, Jesus é contido pela Palavra, mas não é a Palavra; pois, caso o fosse, logo se saberia que desde Jesus a Bíblia apenas contém a Palavra [o testemunho dos apóstolos; e de Paulo; e do escritor de Hebreus; são mais que explícitos a esse respeito]; e contém apenas naquilo em que Jesus a tenha encarnado como espírito e prática; do contrário, como diz Hebreus, caducou e caiu em obsolescência.
Quem me achar herege, convide a Academia do Saber, e me convide para o embate — eles não aparecerão!
Assim, o que digo tem a ver com Jesus; e, para mim Jesus não é o Centro de nada; Ele é tudo.

Desse modo, o que penso sobre essa briga é ela é do diabo; pois, o espírito dela é diabólico; e quem dela tira todo proveito é aquele que faz os homens se tornarem inimigos uns dos outros; posto que ele mesmo é homicida desde o princípio; e todo aquele que odeia se faz seu filho.

Mas o que digo será severamente combatido; pois, quem não tem o espírito serve no altar das letras da morte, e não mediante a inscrição do Evangelho como amor, verdade, misericórdia e graça no coração.
Aqui fico!

Um abraço, e obrigado pelo modo educado como perguntou.


Nele, em Quem dou minha opinião com a paz de que ela é como Ele se mostrou ao mundo,


Caio

15/08/07

Manaus
AM

(Transcrito do site do Caio: www.caiofabio.com)